quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mataram o pai natal!



Mataram o pai natal!
Mataram o pai natal! Mataram o pai natal!
Um grito histérico soou naquela tarde fria e chuvosa pondo todas as pessoas, da praça, de ouvidos despertos.
O som vinha dos lados do enorme estabelecimento comercial situado no principal largo daquela vila do interior do país.
Uma mulher estava à porta da loja com as mãos na cabeça. Largara o saco das compras ficando algumas mércolas espalhadas a seus pés. Fora ela, a autora do primeiro grito.
Em breve acorriam pessoas de todos os lados. Uns correndo e gritando. Outros mais lentos mas gritando também.
- Mataram o pai natal! Mataram o pai natal!
Um corpo volumoso estava realmente caído no passeio, defronte da porta de entrada do estabelecimento comercial.
O corpanzil gordo e muito grande esvaía-se em sangue que disfarçava no corpo devido à cor vermelha da vestimenta.
Um pequeno rio de água e sangue deslizava para a valeta e daí para a sarjeta. Uma pequena e interessante embarcação de pelos brancos navegava para o mesmo destino. Era a barba do pai natal.
Perto uma menina segurando a mão de sua mãe exclamou:
Mamã! Afinal o pai natal não existe. Aquele velho é o tio José Bonifácio.
Rápido a jovem senhora afastou-se com a filha entrando no amplo estabelecimento.
Na verdade, o José Bonifácio fazia há muitos anos de pai natal, durante a quadra natalícia. Todos os adultos sabiam isso, só as crianças acreditavam que ele era o pai natal.
Um homem pequeno e magro com farta bigodaça ruiva apareceu e tomou conta da ocorrência. Resoluto por ser uma autoridade, pois na verdade era o regedor da Vila.
Com expressão de repulsa baixou-se e colocou a mão direita no pescoço do pai natal. Esteve assim trinta segundos, levantou-se e declarou:
-O pai natal está morto! Mandem vir a carroça mortuária e levem o cadáver do Bonifácio para a sala de velório da Capela.
Duas horas depois, já todo o mundo na Vila comentava a morte do José Bonifácio, pai natal há mais de vinte anos na povoação, ao serviço do importante estabelecimento, que tudo vendia.
Todos sabiam que o pai natal fora assassinado. Mas por quem? Ou porque razão? Ninguém ainda sabia. A não ser o assassino e alguém que o viu atacar de rompante o pai natal.
Um velho filósofo da região, homem muito sábio e louco. Ao saber do drama, fez um sorriso irónico e cínico e disse:
-Mataram duas vezes o Bonifácio. Como homem e como pai natal. Não se perdeu grande coisa, pois eram dois canalhas.
Entretanto, ao longe por detrás de um centenário plátano um homem ainda rapazola, espreitava as cenas que iam acontecendo lá longe, junto ao estabelecimento, mostrando um ar de desdém.
Era um jovem com aspecto famélico. Sua barba negra era rala, mas por desbastar, cabelos compridos e sujos. Todo ele estava mal tratado pela vida. Andrajoso no vestir de pobre, descalço e também cara de atrasado.
Após ter visto levarem o corpo do pai natal, o rapazola dirigiu-se para os lados do rio que corria caudaloso e fundo a cerca de cinquenta metros.
Na margem do rio, olhou para todos os lados várias vezes, depois já confiante, retirou do bolso uma velha e enferrujada navalha. Rápido atirou a mesma ao rio que rápido a engoliu.
Antes de se retirar para a sua miserável cabana da floresta, exclamou em voz alta:
-Canalha! Vai para o raio que te parta. Filho de uma bruxa e de um boi. Javardo!
Depois a cambalear devido à fome e ao frio embrenhou-se na noite a caminho da sua cabana.
Não demorou dois dias a acontecer a prisão do João. Alguém o viu anavalhar bruscamente o pai natal.
E também não demorou a ser feito o julgamento do assassino do José Bonifácio.
Na sala de audiências que funcionava na sede da casa da música, uma multidão aguardava ansiosa pelo julgamento e condenação do pobre atrasado mental.
As opiniões divergiam. Uns diziam que seria enforcado, outros diziam que teria prisão para toda a vida, outros diziam que iria para as galés. Mas uma voz sábia sobrepôs-se a todos com sua opinião. Mas não a disse, somente exclamou:
-Nada disso acontecerá! Mas será condenado sim. Fechem as vossas matracas pois só dizem asneiras.
O nosso filósofo louco, concluiu baixinho. Agora só para ele próprio ouvir.
-Vai sim para o manicómio, coitado. Mas ao menos lá terá agasalho e comida.
Todos na povoação sabiam que o João não fora sempre anormal. Nascera bem e bem andara até lá para os onze ou doze anos.
Na opinião de muitos, tudo acontecera quando o rapaz fez os doze anos. Um dia viu o pai matar a mãe. O homem esfaqueou a pobre mulher vezes sem conta. Aterrorizado, o João ainda viu o corpo da mãe com vida ser lançado ao rio.
O pai foi preso e depois de rápido julgamento foi enforcado.
Sem pai, sem mãe, sem mais família o miúdo ficou ao Deus dará. Já doente da cabeça começou a fazer recados e pequenas tarefas, além de andar a pedir. Mais tarde, já quase homem, vieram dar-lhe os trabalhos mais degradantes da Vila para ele poder sobreviver, como limpar esgotos, latrinas e estrumeiras.
O povo adulto não o tratava mal. Mas os miúdos, com a maldade não reprimida, andavam atrás dele e chamava-lhe João maluco.
Na sala das audiências, os três idosos, juízes da justiça local, estavam sentados atrás de uma mesa rectangular. Na sua frente num banco corrido estava sentado o João com a cabeça inclinada para a frente e os olhos fixos no chão.
O julgamento ia começar, no salão o povo estava ansioso para tudo ver e tudo saber.
Após as introduções da praxe, o juiz mais idoso e mais conceituado fez a pergunta há muito esperada pela multidão:
-João. És culpado ou inocente?
-Sou culpado senhor juiz!
-Confessas que mataste?
-Matei sim senhor juiz!
-Porque motivo, mataste o Bonifácio?
-O senhor José Bonifácio não foi morto por mim. Matei sim o pai natal!
-Esta bem! Está bem!
Os juízes não insistiram para não complicar e atrasar o processo.
-Estás arrependido do teu acto?
-Não senhor juiz! Voltava a matar o pai natal.
-Então homem de Deus, que nem arrependido, tu estás.
-Deus não é para aqui chamado. Não estou mesmo arrependido.
- Então explica-nos. Porque razão, tu mataste o pai natal?
-Sim senhor juiz. Vou contar por palavras minhas.
O João contou então a sua estória que vou transcrever com pequenas alterações devido à sua dificuldade de expressão.
Quando tinha seis anos vim à Vila na época do Natal. Queria ver na loja coisas boas que nunca teria e também queria ver o pai natal.
Nós éramos muitos pobres e o dinheiro do meu pai bêbedo ficava na taberna ou no jogo. Nunca chegava à nossa cabana. Tinha fome, pouca roupa e andava descalço.
Gostava muito de ter um brinquedo. Eu via os meninos ricos a irem entregar os pedidos ao pai natal. Por isso fui ao pé dele, mas fui corrido. Dizendo não dar brinquedos a filhos de bêbedos.
No ano seguinte voltei ao pai natal e ele voltou a correr comigo e riu-se muito!
Voltei lá a terceira vez e aconteceu o mesmo. Só que desta vez ele disse que os pedidos eram feitos por escrito.
Na quarta vez já com algum corpo e dez anos acabados de fazer, levei o meu pedido escrito, porque entretanto aprendera a escrever.”
Nesta parte da narração, João calou-se, parecia não querer continuar. O juiz mais idoso insistiu:
-Vá lá! E depois João?
Um pouco contrariado o pobre réu continuou:
“Nesta quarta vez o pai natal olhou muito para mim e disse que sim. Deu-me instruções para ir na noite de Natal a um local na floresta que também conhecia. Seria por volta da meia-noite, hora em que ele andaria a distribuir brinquedos pela pequenada.
Fiquei muito feliz e à hora marcada lá estava. Mas não houve prenda alguma.”
João voltou a calar-se e desta vez não mais falou!
O juiz insistiu! Voltou a insistir, mas nada!
Os três juízes saíram para deliberar. Quinze minutos depois regressaram com a sentença.
O João foi dado oficialmente como doido. Seria enviado para um manicómio onde tentariam que se curasse.
O nosso filósofo, sábio e louco, estava satisfeito. Assim o rapaz pelo menos teria uma cama, agasalho e comida. Podia ser que até recuperasse.
O condenado partiu para o manicómio numa carruagem com grades. No seu percurso a carroça celular passava junto do local, onde na noite de Natal o falso pai natal marcou encontro com o miúdo João, ainda na altura um rapaz saudável da mente.
Ao passar no local, as lágrimas, parecendo um rio, começaram a deslizar pelas faces do rapaz.
Tinha sido ali o local onde o pai natal o tinha violado na noite de Natal.
José Bray
Comeira, 7/12/2016
Dedicado a todas as crianças que sofreram sevícias!











sábado, 30 de julho de 2016

O xadrez e a vida - 09

09 – O xadrez e a vida
Hoje vou falar de algo que sempre me incomodou, seja no xadrez seja na vida. Trata-se do “faz de conta”.
Na vida, que é um teatro das comédias, o “faz de conta” é constante. Todos já devem ter tido acesso a exemplos, porque eles são diários.
Não vou fazer analogias com a vida. Quero sim, fazer a denúncia daquilo que me preocupa no xadrez. Trata-se de um constante “faz de conta”: de certos planos de desenvolvimento do xadrez.
Quem ouvir os seus mentores, quem ler a propaganda e até relatórios finais, é levado a acreditar que estão a fazer um trabalho sério e com resultados positivos.
Uma mentira!
É mais que óbvios que não são todos “faz de conta”. Há como em tudo, sempre excepções, valha-nos isso. Mas a maior parte são uma treta.
Porque são projectos, “faz de conta”? Muitas vezes tendo condições para serem um êxito.
Há planos com pernas para andar, mas não andam. As árvores não desenvolvem e por isso nunca haverá frutos.
Na minha opinião e não querendo ofender neste caso ninguém, acontece que no sitio certo está o homem errado.
Falta de competência, maus gestores e maus líderes! Andar no xadrez não dá estatuto a ninguém.
Ao analisar os projectos referenciados em documentação oficial, fiquei feliz. Depois fui comprovar a realidade. Fiquei frustrado, uma parte deles, três em cada quatro eram, “faz de conta”.
Na verdade, no meu distrito essa matemática bate certo. Em quatro um projecto tem validade.
Há uma excepção! Os Corvos dos Lis não são um projecto “faz de conta”!
E muito menos o serão no futuro, porque na próxima época alguém, único nesta panorâmica irá ajudar, num empenhamento total.
Se alguém duvidar da minha análise, venha ao Druida que ele explica.
José Bray







O xadrez e a vida - 08

08 – O xadrez e a vida
Olá amigos! Ando fugitivo mas não estou parado nem apático. As minhas paixões são muitas e perco-me no turbilhão das mesmas.
Estive no Luso, numa jornada memorável! Há muito que não me sentia tão bem.
O meu clube, os Corvos do Lis, deram uma demonstração de classe. Porque o meu clube não é um clube do faz de conta.
Não gosto de coisas a fingir. Não se esqueçam da Escola do professor Alcobia.
Hoje quero falar do saber perder. É muito importante saber aceitar a derrota, porque ela é o mais normal e está a cada esquina.
Na vida ela faz parte do dia-a-dia, assim como as vitórias. Temos depois de viver e ser felizes.
No xadrez, há vitórias, empates e derrotas. Pelo meio fica o prazer de jogar e ser feliz.
Se é importante saber perder, não é menos importante saber ganhar. Temos de saber respeitar o sofrimento do derrotado.
Um jogador que não souber respeitar isso nunca será um campeão, mesmo que ganhe o campeonato do mundo.
Também gostava de esclarecer:
Nós perdemos sempre bem! Mas muitas vezes ganhamos mal.
Perdemos bem porque somos aselhas, perdemos bem porque o adversário foi superior.
Por vezes ganhamos mal, porque o adversário nos deu tudo. Não confundir com o direito à vitória.
Quem não for feliz a jogar xadrez, deve abandonar a competição.
Como na vida, temos de ser felizes no xadrez, com vitórias ou com derrotas.
José Bray






terça-feira, 19 de julho de 2016

O xadrez e a vida - 07

07 – O xadrez e a vida
Pois é meus amigos, hoje vou fazer uma abordagem diferente, mas falando de xadrez.
Xadrez na arte!
O xadrez além de ser arte na sua génese, permite aos artistas criarem arte a partirem dos mais variados ângulos.
A literatura (prosa) tem abordado intensamente o xadrez, a lista é infinita. Quem não se lembra da novela de Stefan Zweig “O Jogador de Xadrez” ou de “A Tábua de Flandres” de Arturo Pérez-Reverte?
E não falo dos livros temáticos, uma grande parte deles, autênticas obras de arte.
Na pintura, a abordagem é também universal, em todas as épocas e todas as correntes.
Na escultura há milhares de exemplos! Por exemplo a criação de peças do xadrez e seus tabuleiros. Gaudí criou um jogo de xadrez em que o tabuleiro e as peças, foram baseadas nas suas obras de arquitectura.
Sabiam que o famoso modelo Staunton, o mais oficial e o mais famoso conjunto de peças de xadrez, não foi desenhado pelo campeão inglês? Foi Nathaniel Cook que as desenhou e registou no dia um de Março de 1849.
No cinema e no teatro o xadrez, das mais variadas formas, o xadrez tem estado presente, seja como enredo principal seja como simples adereço.
Deixem a poesia para o fim. Como na prosa também na poesia o xadrez inspirou uma legião de poetas que o cantaram.
Vou incluir neste texto, um poema da minha amiga poeta Isabel da Cunha Santos, que muito amável autorizou.
Obrigado Isabel!
Ah! Não se esqueçam de visitar o Museu do Xadrez em Figueiró dos Vinhos.

"O XADREZ DA VIDA"
As nossas vidas são tabuleiros,
Desde o dia em que nascemos,
Teremos que ser cavaleiros
Ou ter o leme dos veleiros
E o futuro construiremos.
Seguir em frente, sem medos,
Olhando o céu, a grande esfera,
Ninguém julgue que estarei,
Peça imóvel como o Rei
De braços cruzados à espera.
Muito menos serei Rainha
Que segue todas as direcções,
Eu vou querer ter uma linha,
Sem cantar a ladaínha
E viver grandes emoções.
Não quero ser como a Torre
A mover-se nas colunas,
Nas linhas também corre,
Ás vezes também morre
Deixa abrir grandes lacunas.
Nos Bispos eu não confio...
Movem-se em diagonais,
Em casas de cor, como um desafio,
Arrastam-se por um fio,
Como estando em catedrais.
Ser Cavalo? Quero que todos saibais
É única que passa por cima
De todas as outras demais
Não quero andar em L... jamais!
Tenho mais quem me anima!
Por fim vem o Peão, peça trave,
Que segue sempre em frente,
Esta sim, sou eu, como uma nave
Sem recuar, sigo de um modo suave
Viverei a vida de forma diferente.
Talvez um dia consiga, fazer um xeque-mate
Atacar o Rei, a Rainha, a Torre e o Bispo,
Será uma jogada só minha, de arremate,
Nem que venha montado no Cavalo, o arcebispo!
Isabel Santos 
26.12.2013
(reservados direitos de autor nos termos da lei)
José Bray



domingo, 17 de julho de 2016

O xadrez e a vida - 06

06 – O xadrez e a vida
Há muitos anos, já lá vai quase uma vida: fizeram-me a seguinte pergunta. Qual a diferença que distingue, um bom gestor de um bom líder, na relação profissional com os trabalhadores?
Com alguma ironia, mas com fundamento, defini assim:
Um bom gestor pega num trabalhador que rende 10 e só paga 9. Fica convencido que fez bem. Contudo (sem saber) fica com um trabalhador contrariado que só vai render 8.
Um bom líder pega num trabalhador que rende 10, paga-lhe 11 e o trabalhador vai render 12.
Um bom gestor exige! Um bom líder agradece!
Depois expliquei tintim por tintim num livro intitulado Gestão & Liderança: não farei isso neste texto. No entanto…
No xadrez como na vida, uma competente gestão e liderança é necessária.
No xadrez temos um património para gerir, temos de o fazer com rigor e parcimónia. Temos de saber gerir a imensa e complexa teia de variantes, não perdendo património, excepto se daí advir vantagem ou ganho final. Também o tempo do relógio tem de ser bem gerido. Temos de gerir a nossa preparação teórica, para lutar com mais argumentos com o adversário. Temos de gerir e ter cuidado com a saúde do corpo, comidas e bebidas.
No xadrez temos de gerir, gerir e gerir!
E na vida? Que acham? Claro que todos o temos fazer: gerir, gerir, gerir. Quem não souber gerir, será um falhado!
Também temos de ser um líder com competência e coragem!
Na vida, a todo o momento temos de tomar decisões. De um modo geral, são inócuas. É fácil de entender, mas por vezes são decisões críticas, que podem transformar vidas. São por vezes encruzilhadas terríveis. Todos, as temos…por vezes mal resolvidas!
No xadrez temos de tomar decisões. Como na vida, muitas são inócuas. Outras assim, assim. Algumas são de grande risco! Um bom líder é aquele que vai para a luta. Por isso ou somos medrosos ou avançamos assumindo a responsabilidade e o risco.
Então meus amigos. Digam lá: há ou não analogia com a vida?
Só um cego não vê isso!
Mais uma vez o xadrez imita a vida e pode ajudar e ensinar a assumir decisões, gerindo com competência.
José Bray














O xadrez e a vida - 05

05 – O xadrez e a vida
Levar a farinha ao moinho, seja no monte seja no rio!
Levar o saber à mente, seja no xadrez seja na vida!
No xadrez como na vida o aprender é necessário, é mesmo fundamental. Aprender sempre e sempre e sempre!
Tanto na vida como no xadrez o saber é infinito, ou seja não tem limites...
Contudo há caminhos diferentes na forma de abordar e assimilar o conhecimento.
No xadrez temos as metodologias que cada professor, treinador ou monitor, usa para desenvolver os seus alunos e futuros jogadores de competição.
Temos também, cada um de nós a nossa forma de aprender, ou seja: como autodidactas.
Eu defendo a princípio do “homem do tijolo”, conforme metáfora que vou partilhar a seguir.
Trata-se de uma trabalho que apresentei no meu curso de monitor, que frequentei em Outubro de 2010, mas escrito em 2004.

O homem do Tijolo e o Xadrez
Era uma vez dois amigos que andavam sempre juntos. Eram como irmãos, mais, pareciam mesmo gémeos mas não tinham nenhum grau de parentesco. Tinham a mesma altura e peso aproximado. Na inteligência nenhum ficava a ganhar e na força também não. Eram dois rapazes fabulosos cheios de potencial. Nasceram e cresceram juntos e fizeram tudo na vida semelhante. Tudo não!.. Houve uma coisa que não fizeram igual. Colocar um tijolo todos os dias!.. João fazia isso usando alguns segundos em cada dia que passava. Pedro achava a isso um disparate e ria-se do amigo.
A vida passou e um dia chegaram à velhice. O João tinha construído um edifício e o Pedro nada fizera!

Era uma vez dois amigos que andavam sempre juntos. Jovens igualmente inteligentes, gostavam das mesmas coisas, uma das suas paixões era o jogo do Xadrez. Durante um certo tempo o nível deles era igual. A partir de certa altura aconteceu o seguinte: O Carlos só queria jogar e não queria estudar o xadrez, afirmava que o mais importante era praticar. Por sua vez o Daniel estudava todos os dias, uns finais, mates, combinações, táctica, estratégia, pouco de cada vez mas sempre.
Sabem o que aconteceu com o passar do tempo? É muito simples! O Carlos embora fosse muito inteligente nunca passou de um jogador medíocre, por sua vez o Daniel tornou-se um campeão sem esforço de maior.


Façam como o Homem do tijolo, todos os dias aprendam um pouco e assim conseguirão construir o edifício do saber!

Marinha Grande, 06 de Maio de 2004
José Bray, 11/10/2010









quinta-feira, 14 de julho de 2016

O xadrez e a vida - 04

04 – O xadrez e a vida
Chegar primeiro!
Hoje vou falar de algo importante no xadrez e no quotidiano da vida. Refiro-me à antecipação.
Todos sabemos a vantagem de chegar primeiro, fazer primeiro, dar xeque-mate, primeiro que o outro.
No xadrez temos de aproveitar a nossa vez de jogar para chegar primeiro ao objectivo. Por isso não podemos desperdiçar as oportunidades de ter antecipação.
E na vida? Poderia estar aqui horas e horas a dar exemplos com é importante a antecipação de cada um, no seu dia-a-dia.
Tomei a liberdade de partilhar uma metáfora, que escrevi há anos para um livro profissional “Gestão & Liderança”. Nela se fala da antecipação, mas também do respeito pela pontualidade.
Antecipação
João tinha uma entrevista para concorrer e tentar o seu primeiro emprego. Era uma excelente oportunidade. Ele tinha todas as condições para conseguir o seu objectivo. Licenciado com mérito e com bastante cultura geral. O jovem tinha uma excelente presença e o dom, da palavra fácil. Vestia com sobriedade e limpeza.
João estava feliz. Saiu de casa naquela manhã de Maio bem-disposto. O tempo estava ameno, nem calor nem frio. O sol brilhava sobre a cidade, dando um manto de prazer a todos que caminhavam pelas artérias movimentadas. Tudo gente a caminho do trabalho ou das escolas.
O rapaz não apanhou o autocarro, decidiu caminhar através do parque, para apreciar tanta beleza. Pensou. – Tenho tempo, muito tempo!
Quando chegou à multinacional, empresa onde ia ser entrevistado, foi recebido com cordialidade por uma bonita funcionária.
Depois, a elegante rapariga, secretária do director dos recursos humanos, pediu-lhe para aguardar um pouco.
O João foi encaminhado para a confortável sala de espera, onde ficou descontraidamente esperando.
Passaram-se dez minutos. Um jovem bem-apessoado saiu do gabinete do entrevistador. Vinha com ar feliz, que demonstrava num largo sorriso.
Mais cinco minutos se passaram, depois a secretária encaminhou o nosso rapaz até ao gabinete do director.
João entrou e foi bem recebido, como mandava a etiqueta, naquela moderna e evoluída empresa.
Apôs as apresentações, conversaram sobre os mais variados temas. Via-se que o entrevistador estava bem impressionado com o rapaz.
Por fim dirigiu-se ao João falando sobre o tema principal: a entrevista de emprego.
- João, gostei muito de o conhecer e conversar consigo. Penso que o senhor tem todas as condições para esta vaga que nós vamos preencher.
Calou-se durante trinta segundos e continuou.
- Tem todas as condições, menos uma. A antecipação! O senhor chegou tarde à entrevista. O rapaz que saiu há pouco já conquistou o lugar. Além de ser competente como o João, às nove horas já estava à porta do meu gabinete.
Depois concluiu…
- Se me permite um conselho, na sua próxima oportunidade, não se atrase. Faça uma jogada de antecipação!
15/06/2014
Nota: do livro “Gestão & Liderança”.
José Bray