sábado, 27 de julho de 2013

Museu do Xadrez Dr. Álvaro Gonçalves

Museu do Xadrez
Às dezanove horas e trinta minutos do dia 26 de Julho de 2013 em Figueiró dos Vinhos, foi inaugurado o Museu do Xadrez Dr. Álvaro Gonçalves. Estão de parabéns os autarcas locais, em especial relevo para o Rui Silva e para o José Fidalgo, assim como para todos que colaboraram no projecto e nas tarefas atribuídas. Parabéns sem dúvida para o Carlos Dias e para o António Curado, pela contribuição no trabalho e na cedência do espólio exposto nesta primeira fase na vida do jovem museu. Outros haverá, que deviam ser referenciados, mas por desconhecimento não o posso fazer.
A Academia de Xadrez do Bombarral fez-se representar por uma equipa de prestígio, o momento justificava e não podíamos ficar alheios. Acompanhado por Carlos Baptista, Rui Feio e Daniel Bray assentei arraiais na maravilhosa vila do norte do distrito.
Após um repasto que não foi bom nem mau, nem caro nem barato, sentados numa agradável esplanada com vista para os Paços do Concelho, jogámos umas partidas de xadrez. Entretanto juntou-se a nós o Carlos Dias e a companheira.
Às dezassete horas, fomos os seis ao salão nobre da Câmara Municipal assistir ao lançamento de um livro de poesia da autoria do poeta Alcides Martins. Em boa hora o fizemos, porque ao chegar ao salão só quatro pessoas se encontravam na audiência. Entretanto chegaram mais dois ou três, entre estes entrou o António Curado. Amavelmente a todos nós foi oferecido o livro com dedicatória do autor. Com o devido respeito transcrevo um soneto do Alcides.

À memória de Álvaro Gonçalves

Álvaro Gonçalves está no paraíso,
Ele que lutou na terra pela arte,
Hoje cantamos um hino em toda a parte,
Em sua homenagem com um sorriso.

Seu pensar consistente e preciso,
Fez lembrar um filósofo como sartre,
E nas estrelas todas até Marte,
Está sua imortalidade de sobreaviso

Os anjos tocarão no alto clarim,
Vestidos de brancas asas de cetim,
Lembrando a candura de sua alma.

Cantaremos ao som do bandolim,
As músicas que ele ouviu, enfim,
Quando partiu naquela tarde calma.
Alcides Martins

Às dezanove horas fomos inaugurar uma avenida dedicada a um ilustre local, mas que neste momento não sei o nome. Estivemos todos, aqui sim já havia bastante gente.
Dessa avenida partimos então para o Casulo, a Casa José Malhoa, para então finalmente ser inaugurado o Museu do Xadrez, após visita a outros espaços museológicos.
Ficamos todos muito felizes e bem impressionados pelo que vimos e especialmente por todo a trabalho desenvolvido. As duas salas estavam bem estruturadas e com coisas de interesse. O espólio exposto no Museu é quase na totalidade pertença de Carlos Dias e António Curado, mas muitas outras peças estão já em armazém por evidente falta de espaço.
Depois seguiu-se um agradável jantar no Parque oferecido pela autarquia. Estabeleceu-se um ambiente cordial e de grande amizade. Debateram-se ideias para o futuro do Museu e do Xadrez em geral.
Não posso deixar de lamentar a ausência de pessoas com obrigações na modalidade, caso da Direcção da Federação Portuguesa de Xadrez e outros.
O Museu Dr. Álvaro Gonçalves, é uma pedrada no charco na apatia do xadrez nacional, a partir de agora nada mais vai ser igual. Portugal tem finalmente o Museu do Xadrez.
Estou convencido que muita coisa boa vai acontecer a partir daqui. Os amantes do xadrez, passaram a ter um local para onde podem enviar o seu espólio, evitando assim que o mesmo vá parar ao lixo.
O obrigado de todos nós à Câmara Municipal de Figueiró dos Vinhos e aos seus autarcas.
José Bray


terça-feira, 23 de julho de 2013

Os xadrezistas do senhor Alcobia

Os xadrezistas do senhor Alcobia
O meu amigo, o senhor Alcobia tem uma Escola de Xadrez para jovens e menos jovens. O meu amigo, o senhor Alcobia está levando a efeito um trabalho brilhante. Direi mais, uma tarefa brilhante e utópica.
Vossemecê pergunta. – Mas que tem  isso de especial? Não faltam pelo país fora escolas de xadrez para jovens e menos jovens. Utópico porquê?
O meu amigo, o senhor Alcobia tem a certeza que os seus meninos têm tanta capacidade como os meninos das tais escolas que há pelo país fora. Ele até defende que os seus meninos têm ou não, alma, como os meninos das tais escolas que há pelo país fora.
Um dia disse-lhe que não acreditava no acreditar dele. O meu amigo, o senhor Alcobia quase se zangou comigo. Então o meu amigo, o senhor Alcobia garantiu que me ia provar que a sua opinião estava certa e demonstrar que o seu projecto não era utópico e muito menos brilhante. Para o meu amigo, o senhor Alcobia, tudo não passava de um trabalho trivial mas levado a efeito com profissionalismo, embora voluntário. Os seus meninos nada pagavam na sua Escola de Xadrez. Disse-me o meu amigo, senhor Alcobia.
- Vou preparar os meus jovens para os nacionais sub 8 e o amigo vai depois poder analisar os resultados.
Chamei doido ao meu amigo, o senhor Alcobia. Fizemos uma aposta, mas uma aposta simbólica, só por graça.
O caro leitor não deve estar a entender nada desta escrita da treta, mas eu explico. O meu amigo, o senhor Alcobia, tem uma Escola para jovens chimpanzés a quem ensina várias matérias incluindo xadrez. Ainda argumentei. – Amigo Alcobia, é uma tolice tentar pôr um símio a jogar xadrez, um jogo tão complicado.
Neste ponto da conversa, o meu amigo, o senhor Alcobia quase voltou a zangar-se com este escriba, mas como pessoa cordial e sensata aguentou a irritação.
- Amigo, não seja xenofobista, os meus jovens são os símios mais inteligentes, os meus jovens são tão capazes como os meninos humanos e têm ou não, alma como eles.
- Quero provas, quero provas, amigo Alcobia. Disse-lhe com ironia e cepticismo.
O tempo passou, o meu amigo, o senhor Alcobia, lá foi ensinando os jovens chimpanzés; os movimentos, os mates elementares, o mate pastor, uns finais simples, e mais uns pequenos truques.
Quando chegou a altura dos nacionais o meu amigo, o senhor Alcobia lá foi inscrever os seus jovens sub 8 na Federação de Xadrez. Claro que foi muito polémica a inscrição dos seus xadrezistas, mas o meu amigo, senhor Alcobia argumentou que eles também eram filhos de Deus.
Os responsáveis federativos do xadrez quiseram dar uma lição ao presunçoso e teimoso, ou seja, ao meu amigo, o senhor Alcobia, meu companheiro de muitos anos. Então numa de gozo aceitaram os jovens chimpanzés no campeonato.
O trabalho dos chimpanzés estava facilitado, nessa altura não era obrigatório anotar as partidas. Os meninos humanos não sabiam escrever, em contrapartida os jovens símios sabiam a escrita da selva que aprenderam com os pais, coisa que os pais dos humanos não faziam.
O nacional foi renhido, era ver quem mais disparate fazia. Para espanto de todos, menos do meu amigo, o senhor Alcobia, foi um chimpanzé a vencer. De imediato dei o braço a torcer, melhor, dei mesmo os dois.
O meu amigo, o senhor Alcobia, homem simples e honesto, ao contrário do que pensavam os responsáveis federativos, na entrega dos prémios disse-me.
- Nada fiz de especial, na verdade os chimpanzés são inteligentes, o meu mérito não foi nenhum.
- Mas eles venceram os meninos humanos. Então qual foi a razão para isso acontecer?
- Muito simples, os meninos humanos, vão mal preparados para os torneios, os pais e os professores fazem deles uns macaquinhos de imitação. Como se sabe os macaquinhos são mais incapazes que os chimpanzés. Não foi difícil preparar os meus jovens chimpanzés com seriedade no ensino, coisa que não há no ensino dos humanos.
Fiquei a pensar que o meu amigo, o senhor Alcobia tinha razão. Os pais por vaidade e os professores por interesse, são os responsáveis pelo disparate de enviar crianças sem o mínimo de preparação para os nacionais. Felizmente há uma ou duas excepções.
- Obrigado Alcobia, até sempre.
Vinte e dois de Julho de 2013
José Bray 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Sobrigal - prima Gertrudes Bray

Gertrudes Rosa Bray e Luís Silva
Ontem dia 4 de Julho fui até à Carvoeira, conforme combinado com o meu amigo José Manuel Cristóvão presidente da Junta da Freguesia da Carvoeira. Esta viagem tinha como objectivo visitar no Sobrigal, uns primos Bray, meus desconhecidos até este dia.
Primeiro parei na Ermegeira (Ermigeira), visitei a prima Felicidade e com ela estive a identificar os músicos da família em velhas fotos da filarmónica.  Cavaqueei e brinquei com alguns parentes, bebi um café acompanhado por um pastel de feijão. Após beber água na Fonte do Brejo, rumei ao destino passando por Monte Redondo, Quinta das Lapas e Matacães. Adoro fazer esta estrada, por ela passei a pé em 1957, por ela passou Maria das Dores com o filho António, em 1880 antes de falecerem. Estava um calor de fritar ovos nas rochas da serra de São Julião, o que valeu foi o ar condicionado da Rocinante (minha carrinha).
Já na Carvoeira reuni com o meu amigo que me indicou o local da residência dos Bray que ia visitar, fácil. Almocei no restaurante do amigo Cristóvão, foi bom e barato. Após o café zarpei para o Sobrigal via Carreiras. Encontrei logo o reino dos Bray, um semi-servo (humor) indicou-me a casa e a porta do Luís Silva seu patrão. Era ali mesmo, até porque conhecera a residência ao chegar ao local, devido às fotos que a prima Teresa Bray me tinha enviado há tempos.
O Luís Silva fazia repouso após a refeição do almoço, informou-me o semi-servo. Apareceu-me uma velhota,  bonita e muita expressiva, através do vidro do postigo. Foi muito engraçado a minha mímica para a senhora não ter medo e ficar descansada. Como sou muito velho na vida, fácil foi fazer charme e convencer a senhora. O meu teatro merece um texto que talvez o faço quando me der prazer de o escrever.
A senhora era a prima Gertrudes Rosa Bray de 82 anos, pequena, magrinha e curvado, com uns olhos lindos e expressivos. Deve ter sido muito bonita, elegante mas frágil. Entretanto apareceu o marido Luís Silva de 85 anos, bom físico em homem bem-parecido.
A alegria deles foi espontânea e verdadeira o que me deixou comovido. Durante quatro horas cavaqueámos sobre tudo. O primo desabafou, duvidava que eu aparecesse, percebi o porquê. Por tudo foi uma empatia simultânea.
Apercebi-me de um grande amor no casal, todos os gestos eram de grande sensibilidade. Bonito de ver!
Falou-se sobre a família a partir do José Pedro da Rosa Bray (José do Sobrigal) pai de Gertrudes e de mais uma série de irmãos, mas também da tia Mariana e da tia Amélia. Assimilei interessantes conhecimentos, mas penso não os divulgar sem troca de impressões com os vários interessados na investigação.
O senhor Luís Silva é uma figura emblemática, antigo campeão de luta grego/romana é figura grada do Carnaval de Torres Vedras, tendo já ido à televisão dar show.
Sentados num banco corrido, à sombra da adega, apreciando uma vista de grande beleza, em que os verdes e a geometria das árvores me davam prazer ilimitado, Luís Silva contou estórias de vida que me encantaram. Por fim a grande surpresa, recitou versos muito interessantes, poemas que ele fez de improviso através da vida. Quem me conhece sabe a fascínio que sinto por poetas populares.
Chegou a hora da despedida, felizes pediram-me (exigindo) que aparecesse muitas vezes, claro que prometi. Vou aparecer sim!
Fiquei feliz por eles, mas também por mim.
4/7/2013
José Bray



domingo, 30 de junho de 2013

Daniel Bray, um grande campeão

Daniel Bray, representando a Academia de Xadrez do Bombarral renovou o seu titulo de campeão absoluto de Xadrez do distrito de Leiria, ao derrotar uma forte concorrência, em seis jogos com seis vitórias. Apenas com dezanove anos, já venceu em 2009, 2011, 2012 e agora em 2013. Em segundo lugar ficou André Pinto e em terceiro Pedro Rodrigues. Os três melhores ficaram no pódio. 
O jovem talento tem vindo a somar vitórias nos mais diversos torneios, seja em rápidas, semi-rápidas ou lentas. Foi convocado para o estágio da selecção de jovens, mas devido aos estudos não poderá comparecer.
O distrital foi disputado nas magnificas instalações da Casa da Cultura de São Martinho do Porto. Excelente ambiente e muita camaradagem estiveram presentes em todas sessões.

Os Bray, a caminhada

Os Bray, a caminhada
Alguns primos pediram-me para de uma forma simples fornecer informações dos nossos antecedentes. Já escrevi alguns textos, a sua actualidade depende de cada informação recolhida por todos que se dedicam à investigação do nosso apelido.
Banda da Ermegeira fundada em 1882
O meu bisavô é o jovem  sentado,  o ultimo à direita na imagem
Silvério Pedro da Rosa Bray

Esclareço desde já que esta recolha de dados foi feita por diversos investigadores, quase todos de nossa família, a mim só cabe parte. Mas os primos querem dados, por isso mãos ao trabalho.
Nas investigações para simplificar separo a estória da família em várias fases, a primeira até ao Agapito, depois até José Bray feitor na Quinta da Ermegeira, de seguida até à minha geração, acabando na fase contemporânea. Esta ultima fase, a cada um pertence, por isso não vou escrever sobre ela.
Para mim o casal Agapito/Violante é um pêndulo entre as duas primeiras fases.
São conhecidas quatro gerações nos antecedentes de António Agapito da Rosa Bray, todos nascidos na zona de S. Domingos de Carmões, vejamos:
Pedro Dias/Maria Francisca, nascidos por volta de 1650, trisavós do Agapito.
António Francisco (n1678) /Luzia da Conceição (n?), bisavós do Agapito.
Manuel Francisco (n1702) /Maria Josefa (n1710?), avós do Agapito.
António Francisco (Agapito Bray *) (n1742) /Joaquina Sant’ana (n1745), pais do Agapito
(* este ultimo foi o primeiro a assinar Bray ao ser padrinho de um casamento).
António Agapito da Rosa Bray nasceu a 24 de Março de 1776, casou a 4 de Junho de 1798 com Violante Maria Peregrina de Barcelos Barreto nascida a 14 de Junho de 1770. Violante era seis anos mais velha que o Agapito.
O Agapito, que se saiba teve quatro irmãos: Maria Rita (n1772), José (n1774), Anna (n1779) e Violante (n1782).
O Agapito era capitão ou coisa parecida, não sabemos de quê, exército, marinha de guerra ou navio mercante, são hipóteses.
São conhecidas três gerações nos antecedentes de Violante Maria Peregrina de Barcelos Barreto, todos dos Açores, excepto a mãe de Violante.
Matias de Barcelos/ Catarina Pacheco, nascidos por volta de 1670, bisavós de Violante.
Manuel de Barcelos (n1692) /Maria Luís (n1700), bisavós de Violante.
José de Barcelos Barreto (n1732) /Madalena Caetana (n?), casaram na Ajuda/Lisboa em 1762, pais de Violante.
A Violante que se saiba teve dois irmãos: Gertrudes (n1764) e Lourenço António de Barcelos (n1767), ambos mais velhos que Violante.
Esta família oriunda dos Açores, desde o tempo do povoamento da Terceira, veio para o Continente devido às calamidades que se abateram sobre o arquipélago a meio do século XVIII.
Para fechar esta primeira fase quero dizer que uma irmã do Agapito a Maria Rita já tinha casado com um irmão da Violante em 1796, tendo já o filho João Baptista nascido três meses antes do casamento.
Assim encerro a primeira fase, avancemos para a segunda.
O casal Agapito/Violante viveram na Corujeira freguesia de S. Domingos de Carmões, foram pais de cinco filhos: Francisco Xavier da Rosa Bray (n1800), Perpétua Carlota da Rosa Bray (n1803), António Pedro da Rosa Bray (n1807), Silvério Pedro da Rosa Bray (n1809) e Maria da Conceição (n?)
O nosso avoengo foi o António Pedro da Rosa Bray casado com Maria Sant’ana., pais de José Pedro da Rosa Bray que nasceu a 19 de Março de 1843, no mesmo dia mas em 1845 morre António Agapito nas vésperas de fazer 69 anos.
José Pedro da Rosa Bray casou com Maria das Dores (n20/1/1848) no dia 3 de Setembro de 1866.  O filho Silvério já tinha nascido.
Este casal após o casamento foi viver para a Quinta da Ermegeira, o José Bray como feitor da Quinta e a Maria das Dores como dama de companhia da Viscondessa.
Assim começou a saga dos Bray na Ermegeira.
O casal José Pedro da Rosa Bray/Maria das Dores, foram pais de seis filhos: Silvério Pedro da Rosa Bray (n1866), Maria Henriqueta (n1868), Luisa Maria (n1870), Mariana (n1872), Amélia (n1874), José Pedro da Rosa Bray, conhecido por José do Sobrigal (n1877) e António (n1879, f1/3/1880).
Conta-se que Maria das Dores foi com o bebé António visitar a família às Carreiras a terra de seus pais. No regresso ela e filho foram surpreendidos por forte temporal apanhando ambos uma grande molha. Ficaram doentes, falecendo dias depois, o menino a 1 de Março e a mãe a 6 do mesmo mês do ano de 1880. António tinha um ano e a mãe trinta e dois.
José Pedro da Rosa Bray mandou erigir um pequeno mas digno monumento, no cemitério do Maxial em memória da mulher Maria das Dores.
Chamo a atenção para, Pedro, Rosa e Bray serem apelidos, que se mantiveram nos nomes dos homens da família, pelo século XX dentro até ao Estado Novo.
Terminaram aqui as duas primeiras fases, entrando-se na fase moderna.
Com os filhos do José Bray/Maria das Dores, abriram-se caminhos diferentes, cada um seguiu a sua estrada. Silvério, Maria e Luisa viveram na Ermegeira, Mariana e José no Sobrigal e Amélia em Lisboa.
Nesta terceira fase que chamo de moderna, seguirei o meu trilho.
No meu caso o meu bisavô foi o Silvério Pedro da Rosa Bray casou com Henriqueta Maria, foram pais de cinco filhos: António Pedro da Rosa Bray (n1888), Mário Pedro da Rosa Bray (n1894), José Pedro da Rosa Bray (n1896), Maria Henriqueta Bray (n?) e Felicidade Bray (n?). Esta gente deu ao casal Silvério Bray/Henriqueta Maria, trinta e dois netos não contando os que terão fenecido em crianças.
A minha avó Maria Henriqueta Bray gerou a minha mãe Maria Alice Bray, meus tios Alberto, Damião, João e as tias Maria Correia, Carminda e Natalina, sete ao todo. O António teve um filho, Mário nove, José também nove e Felicidade seis.
Eu tomei o comboio da vida em 1943, minha filha Ana Maria Freire Bray em 1971, Isa Paula Freire Bray em 1976. Meus netos, o Daniel em 1994, António em 2009 e Alexandre em 2012.
Nesta caminhada, treze gerações aconteceram desde Pedro Dias/ Maria Francisca e doze desde Matias de Barcelos/ Catarina Pacheco.
Continuamos sem saber como entrou o apelido Bray na família, sabemos sim que um avoengo nascido em 1742 António Francisco, assinou Agapito Bray ao ser padrinho de um casamento.
Na primeira metade do século XVIII foi viver para Coimbra uma família com apelido Bray oriunda da Inglaterra, contudo não conseguimos fazer a ligação com os Bray de Carmões.
Quase tudo escrito neste texto tem documentação comprovativa, contudo pode haver alguma incorrecção. Se tal acontecer peço a vossa ajuda para se corrigir.
Marinha Grande, 30 de Junho de 2013
José Bray





quinta-feira, 16 de maio de 2013

A capa escarlate



Há muitos anos atrás, ainda as aldeias não tinham electricidade e a água era das fontes, um rapaz da Ermegeira foi ao habitual baile de sábado que se fazia no Maxial. Era um evento rotineiro frequentado pelos rapazes e raparigas vindas de duas léguas em redor da pequena freguesia. No excelente salão de um palacete com função social, juntava-se imensa gente, mas de um modo geral quase todos se conheciam, em especial os mais assíduos.
Aquele baile no sábado, dia seis do mês de Março de mil novecentos e quarenta e três, ficou para sempre gravado a letras de fogo na memória do rapaz da Ermegeira.
Ela apareceu ninguém sabe de onde, embrulhada numa longa capa escarlate que deixou no bengaleiro. Os longos cabelos negros desciam-lhe pelas costas até aos quadris, que se adivinhavam através do vestido branco enfeitado por fitas azul-marinho. A fazer contraste com o cabelo, um rosto belo mas que não sorria, muito alvo quase transparente, uma boca carnuda, um nariz arrebitado e uns olhos negros enormes. Sem dúvida uma visão quase divina, se sorrisse, o quadro seria perfeito.
A rapaziada do baile ficou toda com os corninhos no ar, sentindo-se inferiorizados não tiveram coragem de avançar com pedido para dançar com enigmática rapariga, o famoso sinal à distância. Foi então que o rapaz da Ermegeira decidiu tentar a sorte, com uma táctica diferente, avançou devagar olhando a rapariga nos olhos, perguntou à estranha se precisava de alguma coisa. Ela disse que não, então ele convidou-a para uma dança, a rapariga sem dar um sorriso disse que sim. A beldade avançou para ele e ao som de uma valsa rodopiaram pelo salão. Foram horas de dança, ninguém sabe do que falaram, se é que houve diálogo, especialmente da parte da rapariga.
A manhã vinha aí, em breve. A jovem pediu a capa no bengaleiro, solicitou depois ao seu par um copo de água. Quando o jovem regressou com a bebida ela já tinha partido, sem hesitar foi a trás dela.
A rapariga parecia voar, dirigindo-se na direcção do Vilar, no fim da povoação virou à direita encaminhando-se na sentido do Montejunto e do cemitério. O portão fechado parecia ser obstáculo, mas não foi, atravessou-o como uma cortina de fumo. O rapaz viu isso ao longe, o portão estava fechado à chave e tinha pontas de seta no topo, então,sem hesitar ele saltou o muro e entrou também no cemitério. Olhou para todos os lados e não a viu mais, procurou entre os mausoléus mas nada. A madrugada chegara, os primeiros alvores apareceram do lado da montanha. Foi então que o rapaz viu algo que o aterrorizou, sobre uma campa estava a capa escarlate que a mulher usara, fugiu em direcção à sua aldeia e só parou quando entrou em casa.
A campa tinha um pequeno monumento erigido em honra de Maria das Dores falecida a 6 de Março de mil oitocentos e oitenta, um sábado. O jovem da Ermegeira estivera a dançar toda a noite com o fantasma da sua bisavó.
José Bray, 13/5/2013

domingo, 12 de maio de 2013

Paradoxos no mundo do trabalho!

Um filosofo meu amigo, pessoa muito sensata, dizia que tudo o que se passa neste país é um paradoxo. Um paradoxo? Perguntei numa tentativa de o pôr a falar, coisa a que ele não se fez rogado. Achei piada ao termo paradoxo, quando era menino adorava a palavra e servia-me dela como um bordão. O paradoxo servia para apoiar qualquer tema, mesmo nada tendo com o mesmo. Sempre era mais interessante, penso eu, do que o cara..., o cabr.., o bué o pá e mais recentemente o "prontos". Mas voltemos ao meu amigo.  Dizia ele falando do emprego e do desemprego.
-Dizem que há desemprego, mas o que há é desempregados.  Há trabalho e mão de obra, se dividirem o trabalho pela mão de obra existente, a palavra desemprego sai do nosso léxico e deixa de haver desempregados.
Pensei um pouco e estou quase a concordar com o meu amigo filósofo que aprendeu muito com o pai e o avô trabalhadores do campo. Entretanto ele continuou o seu raciocino.
-Dizem que há altas percentagem de trabalhadores no desemprego, 15%, 18%, 21% e por aí fora. Dizem que é preciso criar postos de trabalho. Tudo isso é uma falácia.
Também sinto simpatia por este termo, falácia soa bem e rima com incompetência. Questionei o meu amigo. Isso não é lógico?
-Claro que não, actualmente muitos postos de trabalho são supérfluos,  nem sequer tinham razão de existir. A tendência na sociedade futura é para as máquinas substituírem o homem, ou seja, postos de trabalho, isso já está acontecendo há muito. Na filosofia da economia actual, o desemprego (coisa que não existe) vai subir para 30%, 40%, 50%, 60%, 70%, 80%, 90% e por fim 99%. Depois que fazem às pessoas?
Percebendo o ponto de vista do amigo, comentei. Não estás a exagerar no cenário.
-Claro, estou a exagerar para as pessoas interessadas e não interessadas  observarem melhor o fenómeno (o monstro). Mas não tenhas duvidas que vai acontecer algo parecido, não sendo obviamente tão exagerados os números.
Penso que compreendi os pontos de vista do filósofo meu amigo, mas ele ia lançado e não parou o seu filosofar.
-Agora repara neste disparate que é um super paradoxo. Os do poder querem aumentar o tempo de trabalho da mão de obra no activo, retirar os feriados aos trabalhdaores e passar a reformas para uma idade superior. Com isso até o mais ceguinho da cabeça vê, só estão a retirar  a hipótese de  trabalho a desempregados,  não reduzindo a tal taxa de desemprego, coisa como já demonstramos não existe.
Diz-me, no futuro não vai haver áreas em que há necessidade de mais gente a trabalhar?
-Sim haverá, por exemplo, no saúde, no ensino, no lazer, na assistência aos jovens e aos idosos, mas tudo isso nunca irá compensar o que terá de acabar e o que a ciência virá a substituir.
Amigo filósofo, obrigado pelo teu raciocinar, mas estarás certo? Até à próxima e obrigado.
-Ainda não me fui embora, calma aí. Quero contar uma parábola que aconteceu num país de espertos.
Era uma  vez um pequeno país com muito dinheiro sugado a países de gente sem tutano. Aconteceu que nesse país rico começou o desemprego (que não existe) a aumentar, já ia nos 50%. O Governo começou a ficar preocupado com tanto ociosidade. O ministro principal reuniu com urgência os restantes governantes. Exigiu uma solução para o desemprego. Após uma sessão prolongada, cada ministro deu uma solução. O da agricultura decidiu produzir o dobro das colheitas, empregando com isso muita gente. O da saúde, decidiu fazer exames aos doentes por tudo e por nada, ainda decidiu produzir medicamentos sem limites de plafond. O da industria decidiu mandar produzir o dobro dos carros, dez vezes mais telemóveis e tralhas semelhante, como computadores, televisores, fogões, frigoríficos, etc, etc.
O primeiro ministro com um ar seráfico perguntou aos ministros. Mas que fazemos a tanta produção? A resposta foi unânime.  Simples senhor primeiro ministro, deitamos fora o excesso e produzimos de novo.
Pensem! Pensem! Agora sim vou embora.
Conclui que o filósofo meu amigo tem razão em muita coisa, mas também entendi o que querem os barrigas cheias deste mundo.