terça-feira, 9 de abril de 2013

Xadrez - Veteranos 2013




Vou falar dos nacionais de veteranos de 2013 em xadrez. Não vou falar da minha prestação competitiva que pouco interessa para a estória, tentarei dar uma imagem interessante à narrativa, se para tal me der o engenho e a arte.

As provas foram disputadas em Fátima num hotel com excelentes instalações, mas por outro lado a alimentação foi fraca. Estive para propor ao gerente dar um curso de culinária aos cozinheiros porque os erros de confecção foram muitos, salvando-se os pequenos-almoços. Fiquei admirado não haver WC no piso 0 (recepção, restaurante e bar) nem uma simples instalação para lavar as mãos. Todo o pessoal do hotel foi bastante simpático, é justo dizê-lo. Foi pena que o café no bar custasse 1,25€, mas no exterior a pouco mais de vinte metros era excelente, barato e o patrão patusco.

As provas foram disputadas na cave num salão com condições, excepto talvez um pouco de falta de ar puro, ainda bem que é proibido fumar no xadrez. Para muitos a luz artificial é um handicap, mas era realmente boa assim como a ausência de barulhos. Resumindo, as mesas eram ideais, as cadeiras também, só faltavam os braços para os sonolentos descansarem, os tabuleiros e peças como manda a sapatilha. Todas as doze partidas vezes sete jornadas = a oitenta e quatro jogos foram transmitidas pela Net. Uma pintarola, que mais querem os velhinhos? Que ninguém se ofenda, mas alguns são-no e os outros para lá irão.

Paralelamente houve uma organização Carlos Carneiro com um FIDE e um Semi-rápidas, o mestre Fróis também levou a efeito um curso de formação.

A arbitragem esteve nos nacionais a cargo de Altino Costa e Ilda Miranda que mostraram competência e acima de tudo muito tacto! Estes não são do apito dourado…

Foi realmente muito bom estar entre tantos amigos alguns que conheço há cerca de trinta e cinco anos e o Augusto Dias há mais de quarenta, dos tempos gloriosos de África. Senti muitas saudades da não presença do Tarira e do Loureiro que devem estar lá não sei onde a jogar o xadrez com paixão.

O nacional de veteranos pode ser realizado em qualquer época do ano por razões óbvias, com isso é possível angariar condições de excepção nos hotéis. Sabemos que haverá sempre alguém a dizer que a época não lhe convém, mas será sempre uma questão de opção de cada um. A crise é muita e temos neste caso de aproveitar essa infelicidade para a sociedade, vou dar um exemplo, mesmo em Fátima é possível um bom hotel por 20€/noite duplo, refeições a 6,50€, ou seja por 23€/dia vezes cinco dias = 115€ no total. Claro que não sou mais esperto que os outros, mas temos de estar de olho aberto.

Foi muito boa a ideia da Federação Portuguesa de Xadrez organizar as três provas, rápidas, semi-rápidas e clássicas no mesmo local e em sequência. Sem dúvida que mostra lucidez de quem manda, temos de concordar que o jovem tem esperto na cabeça.

Na minha opinião, como acontece nos jovens, devia haver vários níveis etários nos veteranos, um jogador de 60 anos nada tem a ver com um de 80 ou mais. Por outro lado lado não compreendo porque razão uma mulher é veterana aos 50 (uma jovem) e os homens são veteranos aos 60? Os veteranos deviam de começar todos aos 50 e mudando de escalão de dez em dez anos. Isto ou coisa parecida. Será instruções da FIDE ou cada federação faz à sua maneira?
Mas afinal de que mais gostei? Gostei acima de tudo das longas conversas tidas com alguns, gostei de conversar do meu Benfica com o Lavrador, gostei do espírito de humor do Solha uma obra de arte, gostei da delicadeza do Videira e da sua bonita companheira, gostei de conversar com o Júlio Santos um senhor. Gostei da estória do Augusto Dias que veio reencontrar neste campeonato a filha do seu antigo chefe. Compreendi muito bem a sua emoção porque isso já me aconteceu algumas vezes na vida. Claro, gostei de todas as polémicas que se travaram entre todos.

A Federação está de parabéns por este evento, mas não se esqueçam que tão importante é o primeiro como o último, que tão importante é o miúdo como o velho! Se não entenderem eu explico com calma!

Meus amigos, ando no xadrez por paixão, como em tudo na vida. Como dizia o meu amigo Tarira e eu próprio, o xadrez é competição, ciência, arte, filosofia e quem se sabe se não é uma religião para muitos.



terça-feira, 5 de março de 2013

Xadrez - "Empates de salão"

Xadrez – Empates de salão
O empate numa partida de xadrez é um resultado normal, tão vulgar como a vitória ou a derrota. Acontece quando nenhum dos jogadores tem material para poder conduzir à vitória as suas peças em função da defesa do adversário. Acontece quando os dois jogadores repetem três vezes a mesma posição no tabuleiro. Acontece quando um dos jogadores afoga o rei do outro. Acontece quando os dois jogadores acordam no empate.
Até aqui tudo bem!
Não é por causa dos empates descritos acima a razão deste meu texto, é sim, por causa dos falsos empates, os chamados “empates de salão”. Em muitos Opens antes de começar uma qualquer jornada já os resultados estão combinados. Isto não é desporto é abandalhamento da verdade, para não lhe chamar outro nome. Esse sim, muito feio!
Embora não goste, ainda compreendo o empate, por motivo de interesse comum, no fim de uma prova. Dou como exemplo: O jogador que na última jornada lhe chega o empate para vencer a prova, propõe e o adversário por interesse ou medo, aceita. Outro exemplo curioso, acontecia em Luanda entre dois jogadores muito amigos, nunca um derrotava o outro. Também, já assisti a um jogador (cobarde) propor o empate dando o título ao outro só para garantir o terceiro lugar, curiosamente o adversário nem era superior e o medroso, podendo ganhar a prova, preferiu... não lutar porque se perdesse ficava em sexto ou sétimo lugar.
Agora o que não compreendo são aqueles xadrezistas (maus desportistas) que entram num grande torneio e sem luta começam a empatar entre eles, desvirtuando toda a verdade. Os xadrezistas sérios esfolam-se durante horas e mais horas ganhando ou perdendo, ficam esgotados e no outro dia voltam ao combate, enquanto uns (escolham vocês o adjectivo), passam as jornadas boiando como a cortiça, para depois se aplicarem em um ou dois jogos e por vezes nem isso.
- Mas que tem você com isso? Perguntam os caros leitores, mas eu explico porque o tema ainda encerra mais incorrecções. Na minha vida organizei e vi organizar muitas provas, senti na minha pele e também o que outros sentiram.
Organizamos um Open com muito sacrifício, muito trabalho e muitos gastos. Convida-se uns senhores que não pagam inscrição, muitos têm estadia gratuita, e ainda há alguns a quem é pago um cachet.
A arraia-miúda, inscreve-se e paga tudo com língua de palmo e nada recebe, com esforço pode amealhar uns pontos de Elo, ou seja, os senhores chegam, não pagam e ainda recebem. No fim da prova, depois de pouco jogarem levam os troféus e os prémios em dinheiro.
Isto tudo é imoral! Por isso era preciso tomar atitudes, coisa que infelizmente ninguém parece ter força para tomar uma decisão. Penso que algumas medidas podiam ser encontradas, coisa que mais tarde ou cedo acontecerá.
Quanto aos patrocinadores, carolas e voluntários, para eles é simples tomarem uma atitude, simplesmente desistirem e mandarem a malta, jogar a pau com os ursos. Infelizmente foi o meu caso e de alguns amigos!
Na minha opinião nunca se conseguirá provas para esses empates de salão, embora todos saibamos que os fazem. Como solução para os falsos empates, penso que os desempates na   classificação deviam ter factores penalizadores. Por exemplo: Um jogador com cinco vitórias e cinco derrotas ficaria sempre à frente de outro com dez empates. Outro exemplo e este mais radical: O empate no lugar de valer 0,50 passava a valer 0,49. Desta formas os jogadores fugiam aos empates combinados e as panelinhas eram mais difíceis.
Obrigado pela vossa atenção.
José Bray, 5/3/2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

A revolta



O rapaz não resistiu ao apelo que lhe ia na alma, saiu de sua casa para uma missão arriscada. A revolta estava na rua! Muitos dos seus amigos estavam envolvidos na confusão, ele queria estar com eles. A companheira ainda tentou dissuadir o jovem, convencê-lo da inutilidade da obsessão, mas em vão. O rapaz não cedeu aos apelos e argumentos da jovem mulher. Resoluto avançou para a Avenida em passo certo embora as pernas tremessem. Ao longe ouviam-se tiros que ecoavam na madrugada. Chegou perto dos tumultos mas não se envolveu, ficando a trinta metros dos manifestantes que trocavam mimos com os esbirros. A companheira aterrorizada apareceu de uma rua transversal e com lágrimas no rosto acercou-se do seu homem. A polícia de intervenção agredia uma centena de revoltosos mais corajosos, jovens cheios de cólera e ódio que sentiam aos canalhas. A cerca de setenta metros uma multidão de alguns milhares, gritavam palavras de ordem e agrediam verbalmente a escumalha do regímen, observavam mas não reagiam, ou seja não avançavam. Entre os dois grupos, os que levavam pancada e os indecisos por medo e cobardia, encontrava-se o jovem casal, como pêndulo de uma balança. O rapaz sentia muito medo e sabia da inutilidade de se envolver na luta física. Contudo tomou uma atitude. Virou-se para a multidão acobardada e botou violento e empolgante discurso. Em tom inflamado chamou-lhes cobardes e sem solidariedade para com os da frente. Tudo isto com ênfase de verdadeiro revolucionário, para os ferir no seu âmago. No fim desafiou-os a avançar para a luta, para a zona da pancadaria. Um autêntico fanático a promover um ideal. Aos poucos, timidamente a multidão começou a avançar, primeiro devagar, depois a adrenalina subiu e em cavalgada correram a juntar-se aos companheiros que lutavam. Em segundos caíram em cima dos esbirros que foram esmagados pela fúria do povo. Mas os lacaios do poder  ainda abateram alguns dos revoltosos, inocentes que acreditavam nos seus ideais. No chão negro do asfalto pintado de vermelho pelo sangue, um jovem casal jazia com os corpos crivados pelas balas. A revolução contudo triunfou!
José d' Barcellos, 1/10/2012

sexta-feira, 1 de março de 2013

Porca, a bela!


Era uma vez uma porca que vivia em solidão no seu habitat. Não era grande nem pequena, mas assim-assim. Um belo exemplar com tudo no sítio, seja no alinhamento das dimensões como na qualidade do produto. Luzia o olho a quem a visse e era a inveja das outras porcas. Contudo, vivia triste por não ter um companheiro: – Mas afinal para que sirvo eu? Interrogava-se ela.
O tempo ia passando, e nada acontecia de especial na vida da porca, aos poucos foi perdendo o seu brilho, a velhice tomava conta do seu corpo e ela sentia-se a enferrujar. As outras porcas que também ocupavam o seu habitat iam partindo, fossem grandes ou pequenas, nenhuma lá ficava, se eram felizes ou não, ela também não sabia, mas lá iam à vida, sempre era uma mudança.
O seu velho dono, nem para ela olhava quanto mais tocar no seu corpo. Quando aparecia levava uma das companheiras, por vezes duas, e houve um dia que até levou, logo, meia dúzia e todas da mesma qualidade.
Até que um dia o idoso partiu para a quinta das tabuletas, um novo dono apareceu, por sinal um simpático rapaz. A bela porca sentiu renascer a esperança em algo: – Será que a minha vida vai, agora, mudar?
O tempo continuou a passar e nada acontecia que merecesse a pena ser contado, exceptuando a tristeza que a porca sentia dia após dia, cada vez mais velha e mais enferrujada. Mas um dia há sempre um dia…
Era uma noite de lua nova, nada se via dentro do velho armazém, no seu canto, porca desperta e infeliz revia o seu triste fadário.
Foi então que o portão se abriu muito de mansinho para não haver barulhos, e um homem pequeno e gordo de lanterna  na mão entrou devagar dirigindo-se ao habitat onde a porca, muito encolhida tremia de frio mas também de excitação, estava a acontecer uma aventura, uma coisa diferente dos outros dias.
– Aqui está o que eu queria, esta porca vem mesmo a calhar! Conforme entrou o homem saiu, tendo o cuidado de não dar nas vistas. Por sua vez a bela porca ia feliz, chegara o dia de partir.
Mas mais feliz ficou, quando dias depois o homem pequeno e gordo, introduziu no buraco da porca um parafuso feito do mais fino metal. Porca e parafuso enroscaram bem e foram felizes muitos anos!
Alberto Pereira de Castro



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Fumar ou não fumar!


Fumar ou não fumar, eis a questão? Este dilema coloquei a mim mesmo durante anos, faltou sempre a coragem para tomar uma decisão. Sabia bem que era um disparate, por isso de vez enquanto fazia uma tentativa para parar com o vício, mas o sacana vencia sempre. As tentativas não passavam de truques para me enganar. Marcava uma data para chupar o meu último cigarro, o dia passava e nem de tal me lembrava. Decidia ir reduzindo o numero de cigarros gradualmente, dia após dia fumava menos um cigarro, de repente vinha a pressão da vida o programa era interrompido e ia para as calendas. Fumava tabaco fingido, mas claro que não colava. Com isto tudo o tempo ia passando e o corpo ia sentido os efeitos malignos da droga. Os dentes estavam negros, como negros estavam os dedos que seguravam os cigarros, os escarros eram castanhos e quando me assoava o lenço metia nojo e não era só ranho, era também da sujidade derivada da nicotina, do alcatrão e restante porcarias. Estava ficando pele e osso, faltava o ar quando corria ou nadava, até nas quecas sentia a diferença. Tudo isto e ainda não tinha trinta anos.
Na minha vida social, amigos e família, no trabalho e no desporto, incomodava toda a gente. Fumava em casa junto da companheira e filha, tanto na mesa da refeição como no quarto de dormir, fumava junto dos colegas que nunca pegavam num cigarro, fumava na mesa de jogar xadrez defronte de adversários que não fumavam, inclusive crianças e doentes. Tudo isto era de um egoísmo primário, de alguém sem dignidade nem carácter.
O carro tinha cinza e mau cheiro, metia nojo, as camisas eram queimadas porque por vezes tinha dois cigarros acesos e não tinha controlo sobre eles. Isso acontecia muito quando me concentrava no jogo nos campeonatos de damas ou xadrez.
Fumava tudo, três maços de cigarros por dia, cachimbo, cigarrilhas e até de vez em vez um charuto. Estão a ver o filme? Começava às oito da manhã e terminava às duas da madrugada ou mais tarde ainda.
Comecei a fumar ao mesmo tempo que comecei a trabalhar, tinha treze anos. Era fino, era ser homem, era ser importante. Rapaz a chegar a adulto que não fumasse era assim uma coisa para o outro lado. Tudo um disparate do marketing das empresas responsáveis pelo veneno. Nesse tempo, a divulgação dos malefícios e respectivo aviso era omisso.
Um dia deixei de fumar, deixei mesmo de vez. Vocês perguntam. – Como conseguiste, quando antes não foste capaz? Muito simples, da única maneira que considero efectiva, por teimosia.
Nos primeiros dias de Outubro desse ano, na Academia de Xadrez de Luanda, estava a jogar o campeonato de Luanda e chupava cigarro atrás de cigarro, por vezes com dois acesos. Todos tossicando devido à fumaça que navegava no ar da sala. No lugar de me concentrar na partida olhava para a assistência e pensava exactamente na porcaria do vício. Ao fundo da Academia sentada num cadeirão, uma senhora * de meia-idade olhava para mim com olhar reprovador. Quando me levantei no fim da partida veio falar comigo e deu-me um ralhete.
-Senhor Bray, um homem que ainda é um jovem, tão jeitoso, não vê como está magro e negro do tabaco. Um dia vai ter um problema grave, o tabaco é um veneno que mata um nadinha de cada vez, deixe de fumar.
Nesse dia fui para casa sempre pensando na merda do cigarro. Mas ainda não tive coragem de parar. Durante a noite foram só pesadelos…
No dia seguinte era sábado, começava o campeonato de Angola para o qual estava apurado. Parei na rua António Barroso para tomar café, enquanto saboreava o mesmo, pensava. - Bray tens a mania que és muito inteligente, mas não passas de uma besta, andas a dar cabo da saúde e ainda por cima a gastar o dinheiro que pode faltar para dar leite à tua filha, burro, burro. Puxei do maço de cigarros ainda quase cheio era da marca MC. Olhei uns minutos para a linda embalagem depois amachuquei o dito e caixote do lixo com ele. Até hoje não voltei a meter um cigarro na boca. Já lá vão muitos anos, aconteceu em 3 de Outubro de 1973.
Hoje não há falta de informação e os avisos são muitos. O TABACO MATA! Não entendo como se continua a fumar, ainda mais que no meu tempo!
Para deixar de fumar basta ter força de vontade. É óbvio que custa!
Penso que já não existia se não tenho parado de fumar.
O pouco que tenho é resultado do que não gastei em tabaco. Já fiz as contas.
Pouca gente sabe que fui o primeiro dirigente em Portugal a proibir o fumar nas salas de competição de xadrez, mesmo antes da FIDE.
* A senhora era a mulher do Paes Faria
José Bray



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Xadrez - Mega Clubes e Micro Clubes

Que interessa mais ao xadrez, existirem Mega clubes ou Micro clubes? Ou seja, por exemplo; um clube com 200 jogadores ou muitos com 10 jogadores?
Através dos tempos tenho pensado nesta questão. Como é óbvio os dois cenários são credíveis,  têm as suas vantagens e as suas desvantagens.
Pessoalmente defendo a proliferação de Micro clubes (secções) que na sequência de um projecto bem elaborado venham a  crescer. Vantagens na minha opinião: Motivação nos xadrezistas com vista a terem um lugar na equipa, formação de dirigentes, árbitros e monitores, permitindo que haja um clube em qualquer pequena povoação e nos bairros dos grandes centros populacionais, rivalidade entre clubes que levará a maior competitividade, envolvimento de mais organismos no processo de desenvolvimento da modalidade. Micro clubes, são ideais para secções de xadrez nos clubes desportivos e culturais e também nas escolas e universidades. Maior participação das comunidades locais. Desvantagens na minha opinião: Não encontro!
Durante muitas décadas para formar um clube de xadrez bastavam 8 jogadores federados, mais meia dúzia de xadrezistas e o sistema funcionava. A partir do momento em que o número de praticantes crescia em quantidade e qualidade, nascia naturalmente outro clube de xadrez, normalmente secção acoplada a outra qualquer colectividade. Conheci bem este fenómeno, sendo mesmo dinamizador do mesmo, durante a minha acção como dirigente. Assim proliferavam os clubes de xadrez.
Com o passar dos anos as regras mudaram. Antes um clube só podia ter uma equipa a jogar nos campeonatos nacionais em poule. Na taça de Portugal prova a eliminar, podia jogar com o número de equipas que quisesse e pudesse. Agora os clubes podem ter um numero indeterminado de  equipas nas provas nacionais, dentro de certas regras. Vantagens na minha opinião: Maior racionalização de meios, financeiros, competitivos e de formação. Ideal para clubes que só se dediquem ao xadrez em centros de elevada densidade populacional. Desvantagens: Fuga dos jogadores para os Mega clubes, diminuindo a qualidade nos Micro clubes, diminuição de clubes com identidade própria e menor cobertura do xadrez no espaço nacional.
Na verdade muitas vezes há necessidade de fazer acertos e alterar, mas tudo deve ser bem ponderado. Não devemos andar ao sabor de um qualquer "Xico esperto" que chega e muda por mudar.
Em certa altura do passado, os campeonatos nacionais de equipas foram estruturados para uma quantidade de clubes que nada tinha a ver com a realidade nacional. A quantidade de clubes em especial na 3ª divisão era uma megalomania. Com isso mataram as provas distritais de equipas.
Tentaram resolver a insuficiência permitindo que cada clube tivesse as equipas que quisesse e pudesse. Então nasceram os Mega clubes com quatro, cinco e seis equipas em prova. Como efeito perverso mataram uma parte dos Micro clubes.
Actualmente, os campeonatos nacionais colectivos são uma coisa sem alma nem sentido, os distritais desapareceram e a taça de Portugal está moribunda.
Na 35ª edição da taça de Portugal  ou seja esta época 2012/2013, estão inscritas 58 equipas mas os clubes  representados são só 40! Num tempo não muito longínquo jogavam a Taça cento e muitas equipas. Está tudo dito!
Convém tentar adivinhar os efeitos perversos, para os evitar.
José Bray




terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Procurando o Bray

Introdução
Desde a primeira hora  foi nossa intenção envolver mais investigadores na procura do Bray, da família ou fora dela. Portanto este blogue estará aberto a todos que tenham algo a acrescentar ou simplesmente a comentar. Por outro lado desejamos dar a oportunidade a quem queira saber coisas sobre os Bray. Neste blogue já existem mensagens mais antigas que podem ser consultadas.
Pedimos por isso textos aos investigadores, não interessando a dimensão dos mesmos, desde que tragam algo de interesse.
Este primeiro trabalho é de Teresa Bray que já investiga os Bray há mais de uma dezena de anos. Esta prima é bisneta de Amélia Bray que por sua vez é bisneta de António Agapito da Rosa Bray que por sua vez foi filho de António  Francisco Agapito Bray. 
Teresa Bray tem investigado muito e bem, foi ela que encontrou a assinatura que transporta o apelido Bray para mais uma geração nos ascendentes.
José Bray


O “nosso” Bray mais longínquo - 1
António Francisco Agapito Bray, foi o nosso Bray mais longínquo, facto confirmado documentalmente através da sua assinatura conforme comprovativo em nosso poder. Viveu em pleno séc. XVIII, entre os anos de 1742 e 1793. Sabemos através dos Registos Paroquiais de Torres Vedras, Freguesia de Carmões, guardados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que António Francisco nasceu a 16 Outubro de 1742 e foi baptizado a 29 do mesmo mês e ano. Aos 27 anos casou com Joaquina de Santa Anna, no dia 13 Novembro de 1769, na Ermida de Nª Sª da Piedade, da “Corujeira” e faleceu na mesma localidade, a 12 Outubro de 1793, com 50 anos de idade.
Do seu casamento com Joaquina de Santa Anna sabemos terem tido 5 filhos:
Maria Rita (1772-?)
José (1774-1777)
António Agapito (1776-1845)
Anna (1779-?)
Violante Isabel (1782-?)
Estão também documentadas três gerações sucessivas, anteriores a António Francisco mas, até à data, não há nenhuma menção explícita ao apelido Bray.
Pai, Manuel Francisco (1702-17?)
Mãe, Maria Josefa (17?-17?)
Avô paterno, António Francisco (1678-17?)
Avó paterna, Luzia da Conceição (16?-17?)
Bisavô paterno, Pedro Dias (16?-16?)
Bisavó paterna, Maria Francisca (16?-16?)

Teresa Bray – 14 Janeiro 2013 
O “nosso” Bray mais longínquo -2
Uma das razões para aparecer o Bray, pode dever-se ao facto de não ser habitual em épocas tão recuadas mencionar o apelido. Um indivíduo era geralmente conhecido no seu meio pelo seu nome de baptismo como Ana, Luísa, Maria, Manuel, António ou José, nada mais.
Outra das razões é que os Registos Paroquiais são efectuados de uma forma sucinta, expondo apenas os dados necessários e poupando papel, grande parte das vezes o pároco era o responsável essencial, não dando sequer espaço para assinaturas de testemunhas.
Estas regras com o evoluir do tempo foram-se modificando, permitindo outras leituras sobre os indivíduos, para além do seu nome e o dos seus progenitores, surgem dados como a idade, a profissão/ ocupação, nome da esposa ou esposo, número de filhos e, torna-se um hábito permitir que aqueles que sabem escrever assinem os actos que presenciam (ou quando não sabem, ao menos “assinem de cruz”).
A assinatura em nosso poder é a prova que António Francisco assinou claramente o seu nome completo, aproximadamente um ano e meio antes de falecer (Carmões, C2, fl. 85v, 23 Fev.1791). Esse documento é apenas mais um registo de casamento, da freguesia de Carmões e, assegura claramente que António Francisco foi testemunha desse casamento. Mais, a sua assinatura com uma caligrafia correcta e impecável prova-nos que era um homem instruído, facto que muitos Bray posteriores também seguirão.
Não sabemos ainda porquê que António Francisco é Bray.
O mais natural é ter herdado o apelido pela via familiar, paterna ou materna pois, eram comuns as duas e, continuamos a investigar o assunto com interesse. Podia, eventualmente, tratar-se de uma herança por simpatia, de uma pessoa influente da sua infância ou das suas relações, como um padrinho ou tutor, de nome Bray mas, também até hoje, não há confirmação desta ideia.
Ou então, mais simples, podia ser um título, um nome sonante para que lidasse com eficácia no seu meio profissional. Como e quando começou a ser utilizado o Bray continua a ser um mistério.
Esse é um dos nossos principais desafios. Todas estas meras hipóteses de trabalho continuam em aberto pois, em genealogia e história, tal como em qualquer ciência, cada verdade é continuamente reconstruída e aperfeiçoada.
Teresa Bray – 14 Janeiro 2013