Xadrez – Nacionais de rápidas
Homenagem ao Álvaro Gonçalves
Em Figueiró dos Vinhos, vila em que José Malhoa adorava pintar devido à sua luminosidade, foi capital do Xadrez no dia dois de Junho passado. Na bonita povoação disputaram-se os Nacionais de Rápidas, colectivo e individual. Esta organização foi uma justa homenagem ao Álvaro Gonçalves recentemente falecido após uma luta corajosa com um mal incurável. Durante anos já muito doente o vi lutando no tabuleiro! O Álvaro era um apaixonado pelo Xadrez e o melhor jogador de Figueiró.
Está de parabéns a Autarquia e principalmente os amigos, com destaque para o Rui Silva, por terem levado a cabo esta homenagem. Até sempre Álvaro Gonçalves!
Relativamente aos Nacionais, não estou interessado em falar de resultados e restantes estatísticas, para isso há os locais próprios. Contudo há várias questões que quero abordar:
1º A forma amistosa! Todos foram muito bem recebidos e tratados em Figueiró.
2º A refeição oferecida a custo zero pela Autarquia estava uma maravilha!
3º A tolice da Federação em organizar o Individual em séries, quando podia resolver com um Suíço a 15 ou 16 sessões. Atrasou estupidamente a prova o que levou ao abandono da maior parte dos jogadores para as séries finais.
É injusto para quem patrocina, neste caso a Autarquia local, familiares e amigos, fazerem as entregas de prémios sem a presença de todos!
4º Não se entende que numa prova Nacional a participação de jogadores estrangeiros. É ridículo que o campeão de Portugal tenha sido o 4º na classificação final.
Esperamos que esta nova Direcção da FPX, comece por pensar e depois executar! E não como as anteriores que executavam e depois é que pensavam.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
sábado, 5 de maio de 2012
A caminhada dos Bray
A caminhada dos Bray
A primeira pessoa que aparece como Bray nos nossos antepassados é António Agapyto da Roza Bray, isso aconteceu no assento de casamento de sua irmã Maria Rita de Jesus com Lourenço António d’ Barcellos, em 29 de Setembro de 1796, em que ele foi padrinho, tinha então 20 anos. Maria Rita iria assimilar também Roza Bray mais tarde confirmado num assento de nascimento do filho João Baptista. Agapyto era capitão, mais tarde foi feitor na Quinta da Corujeira propriedade do Marquês de Marialva. Esta Quinta está junto a um pequeno lugar a Corujeira da Freguesia de S. Domingos de Carmões, Concelho de Torres Vedras. Na Quinta e na aldeia viveram os Bray.
A Maria Rita exerce um grande fascínio sobre mim, tendo já sonhado com ela. Contudo não é minha antepassada directa, por isso vou-me focar no Agapyto. Direi só que Maria Rita era quatro anos mais velha que o irmão, seu primeiro filho nasceu três meses antes do casamento. O marido de Maria Rita era irmão da mulher do Agapyto.
António Agapyto da Roza Bray, capitão não sabemos de quê, nasceu a 24 de Março de 1776. Casou com Violante Maria Peregrina d’ Barcellos Barreto nascida a 14 de Junho de 1770. A boda foi na Ajuda/Lisboa a 4 de Junho de 1798. Violante era seis anos mais velha que o marido. Vieram viver para a Corujeira, possivelmente para a Quinta.
Este casal foi ponto de partida para qualquer coisa, a que chamo o epicentro desta investigação. Esta do epicentro é uma brincadeira minha…
O pai do Agapyto foi António Francisco e a mãe Joaquina Santa Ana.
António Francisco foi filho de Manuel Francisco e Maria Josefa, (a minha Maria Josefa).
Manuel Francisco foi filho de António Francisco e Luzia da Conceição.
António Francisco foi filho de Pedro Dias e Maria Francisca.
E desta forma chegámos a 1651
Violante Maria Peregrina d’ Barcellos Barreto, foi filha de José d’ Barcellos Barreto e Madalena Caetano.
José d’ Barcellos Barreto foi filho de Manuel d’ Barcellos e Maria Luís.
Manuel d’ Barcellos foi filho de Matias d’ Barcellos e de Catarina Pacheco.
E estamos no ano de 1670 e menos uma geração do que a parte do Agapyto. A família da Violante veio dos Açores ilha da Terceira após as calamidades de 1761. Mas sei que a família Barcellos fez parte do povoamento da ilha. Não consigo a ligação directa mas tenho alguma informação a fornecer num outro texto, ou neste lá mais para a frente.
Agora vou seguir a descendência do Agapyto e da Violante até ao século XXI, mas só os meus ascendentes directos.
Seguiu-se o filho António Pedro da Roza Bray nascido em 1807, foi padrinho o Marquês de Marialva. Casou com Maria Santa Ana em 23 de Maio de 1834.
Veio então o filho José Pedro da Rosa Bray nascido em 1843. Em 1866 casou com Maria das Dores nascida a 20 de Janeiro de 1848. O casal partiu para a Quinta da Ermegeira onde o José foi trabalhar como feitor. Foi com este casal que se inicia a saga dos Bray na aldeia da Ermegeira. Maria das Dores faleceu a 6 de Março de 1880 com 32 anos, a 1 de Março do mesmo ano morrera o filho António com apenas um ano.
E assim se chegou ao filho Silvério Pedro da Rosa Bray, primeiro filho do casal nascido antes do casamento a 22 de Março de 1866. Este menino foi o meu bisavô, tenho uma foto dele. O Silvério casou (ou não) com Henriqueta Maria. Este casal foi o responsável pelo povoamento Bray na Ermegeira. Tiveram os filhos António, João (falecido em pequeno), Mário, José, Maria e Felicidade. Todos tiveram uma numerosa prole, excepto o António que só teve um filho.
Maria Henriqueta Bray, foi mãe de Maria Alice Bray que por sua vez foi minha mãe e (eu) José Manuel Bray pai de Ana Maria Freire Bray e de Isa Paula Freire Bray e avô de Daniel José Freire Faria Correia Bray e de António Pedro Bray Carvalho.
Com isto aconteceram treze gerações e trezentos e sessenta anos.
José Bray – 14/07/2011
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Memorial Dr. José Vareda 2012 - Xadrez
XADREZ
Memorial Dr. José Vareda um sucesso! ACR Vale Cambra Campeão Nacional de Xadrez
Memorial Dr. José Vareda - 23º Campeonato Nacional de Equipas - Semi-rápidas
Marinha Grande, no dia 28 de Janeiro de 2012Memorial Dr. José Vareda um sucesso! ACR Vale Cambra Campeão Nacional de Xadrez
O 23º Memorial Dr. Vareda foi um sucesso, prova que é simultaneamente Nacional de Semi-rápidas Equipas. Estiveram na Marinha Grande, 59 equipas e 280 jogadores, além de muitos acompanhantes. A cidade foi invadida pelos amantes da arte de Caissa. O grande vencedor foi a ACR Vale Cambra, seguido do FC Barreirense e Academia de Xadrez de Gaia A. O Sport Operario Marinhense alinhou muito desfalcado ficando num modesto 32º lugar, sendo à partida a equipa 25. Mesmo assim Daniel Bray e Pedro do Mar realizaram uma boa prova. Este Memorial continua a ser uma organização de imensa qualidade, do melhor que se realiza em Portugal, é uma justa homenagem ao ilustre cidadão da Marinha Grande. A Organização é do Sport Operário Marinhense e sua Direcção e tem o apoio da Federação Portuguesas de Xadrez, estão de parabéns, assim como o árbitro internacional e seccionista do SOM Carlos Dias por ter executado as tarefas com bastante qualidade, contra todas as dificuldades. Este Memorial e Nacional tem repercussão em todos os meios relacionados com o Xadrez e não só. Lamentavelmente por razões que não se entende o importante evento passou quase despercebido na cidade vidreira, inclusive dos xadrezistas do concelho que são muitos. Não é futebol! Mas o José Vareda merece e o SOM também!
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Faleceu, José Martins Saraiva
Faleceu o senhor José Martins Saraiva, após doença prolongada. Este ser atormentado, era pai, avô e tio de xadrezistas de mérito, falo de José Renato Saraiva, José Ribeiro e António Ruivo. Fundou após o 25 de Abril a secção de xadrez do SIR 1º de Maio de Picassinos e foi comigo o fundador do Núcleo de Xadrez de Marinha Grande, sendo o sócio número um. Adorava o xadrez, modalidade a que assistia na cidade vidreira nos anos cinquenta e sessenta. Embora a sua paixão pelo xadrez fosse grande, o senhor Saraiva tinha outros talentos, menos para a arte de Caissa, contudo compreendia as virtudes desta ciência, fomentando nos jovens da família e não só a prática do nobre jogo.Por diversas razões a minha vida cruzou-se com a dele em diversas actividades, mas aqui falarei do xadrez e pouco mais. O senhor Saraiva era um poeta e escritor de mérito, com muitos títulos publicados, tinha uma poesia que roçava um sofrimento e um desalento perante a vida. A sua infância de pobreza marcou-o muito e reflectiu-se em toda a sua obra. Nem sempre estive de acordo com ele, mas reconheço que era um homem de valor, mas penso que ingénuo e tímido. Sofreu no inicio da sua vida e sofreu no fim da mesma. Paz à sua alma!
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Tampinhas e cadeiras de rodas!
As tampinhas! E as cadeiras de roda!
Sabem quanto pesa um garrafão cheio de tampinhas? De 900 a 1000 gramas! É verdade! Há uns meses apercebi-me que um amigo andava a fomentar uma campanha de recolha de tampinhas para ajudar uma criança a adquirir uma cadeira especial, para o menino poder ter um mínimo de qualidade de vida. Daí para cá comecei a reparar na quantidade de campanhas a solicitar a colaboração de todos. Só no meu clube de bairro há duas crianças a precisar das ditas cadeiras. Sem precisar de ser muito esperto chego à triste conclusão que em Portugal deverão ser necessárias uns largos milhares de cadeiras, umas mais sofisticadas que outras, e todo o mundo a guardar tampinhas. Lamento que muitas tampinhas ainda vão directamente para o lixo e não sejam aproveitadas para as ditas campanhas. Falta de esclarecimento por um lado, falta de civismo por outro.
Vou falar do menino que está nas preocupações do meu amigo por sinal um grande cidadão de seu apelido Duque. Foi-me enviado a meu pedido o orçamento para a cadeira, por sinal especial, o seu preço é 8 000 euros (oito mil). Para alcançar este valor é preciso 80 000 quilos de tampinhas (oitenta mil), cada garrafão pesa no máximo 1 quilo, são necessários para lá de 80 000 (oitenta mil) garrafões. Estão a ver o filme? Quando será que esta criança vai ter a sua cadeira? Pensem na logística para angariar, movimentar e armazenar tão volumosa quantidade de tampinhas. A criança vai chegar a adulta sem ter cadeira se não houver outros apoios!
Tenho vergonha de pertencer a uma sociedade em que os seus governantes não resolvem estes dramas! Há dinheiro para todas a grandezas dos poderosos, dos “barrigas cheia” como dizia Zeca, mas não há dinheiro para a sobrevivência das infelizes crianças!
No dito orçamento que recebi ainda havia algo que envergonha os legisladores, tinha IVA incluído! Será que este tipo de equipamento devia ter IVA?
Amigos xadrezistas, vamos ajudar o menino através do Duque?
Sabem quanto pesa um garrafão cheio de tampinhas? De 900 a 1000 gramas! É verdade! Há uns meses apercebi-me que um amigo andava a fomentar uma campanha de recolha de tampinhas para ajudar uma criança a adquirir uma cadeira especial, para o menino poder ter um mínimo de qualidade de vida. Daí para cá comecei a reparar na quantidade de campanhas a solicitar a colaboração de todos. Só no meu clube de bairro há duas crianças a precisar das ditas cadeiras. Sem precisar de ser muito esperto chego à triste conclusão que em Portugal deverão ser necessárias uns largos milhares de cadeiras, umas mais sofisticadas que outras, e todo o mundo a guardar tampinhas. Lamento que muitas tampinhas ainda vão directamente para o lixo e não sejam aproveitadas para as ditas campanhas. Falta de esclarecimento por um lado, falta de civismo por outro.
Vou falar do menino que está nas preocupações do meu amigo por sinal um grande cidadão de seu apelido Duque. Foi-me enviado a meu pedido o orçamento para a cadeira, por sinal especial, o seu preço é 8 000 euros (oito mil). Para alcançar este valor é preciso 80 000 quilos de tampinhas (oitenta mil), cada garrafão pesa no máximo 1 quilo, são necessários para lá de 80 000 (oitenta mil) garrafões. Estão a ver o filme? Quando será que esta criança vai ter a sua cadeira? Pensem na logística para angariar, movimentar e armazenar tão volumosa quantidade de tampinhas. A criança vai chegar a adulta sem ter cadeira se não houver outros apoios!
Tenho vergonha de pertencer a uma sociedade em que os seus governantes não resolvem estes dramas! Há dinheiro para todas a grandezas dos poderosos, dos “barrigas cheia” como dizia Zeca, mas não há dinheiro para a sobrevivência das infelizes crianças!
No dito orçamento que recebi ainda havia algo que envergonha os legisladores, tinha IVA incluído! Será que este tipo de equipamento devia ter IVA?
Amigos xadrezistas, vamos ajudar o menino através do Duque?
2º Torneio de Xadrez João Santos
2º Torneio de Xadrez João Santos, Daniel Bray, venceu com classe! Disputou-se no Bombarral este importante torneio de Xadrez em homenagem ao senhor João Santos grande dinamizador do xadrez no Distrito de Leiria. A prova foi disputada em partidas lentas e o nível de competição foi de elevada qualidade. Daniel Bray do Sport Operário Marinhense realizou uma prova onde demonstrou a sua força de jogo ao fazer 4,5 em 5 pontos possíveis, só cedendo um empate, com um Elo de 2014 fez uma performance de 2314. Concorreram por convites 18 jogadores representando 9 clubes. 1º Daniel Bray, 2º Victor Morais, 3º Paulo Fanha, formaram o pódio, o forte xadrezista Ricardo Evangelista vencedor da primeira edição ficou em 4º, Francisco Cavadas sub14 ao ficar em 5º foi a grande revelação do torneio tendo 1596 de Elo fez uma performance de 1974. Este evento foi uma demonstração de consideração e amizade por um grande desportista e homem com H grande João Santos, para o ano há mais.
Concentração!
Partida decisiva!
O pódio! Paulo Fanha 3º, Daniel Bray 1º e o mestre Victor Morais 2º.
Com o senhor João Santos, o homenageado!
sexta-feira, 22 de julho de 2011
XADREZ NAS ESCOLAS
Transcrevo este documento de superior importância do responsável do Xadrez Escolar do Brasil! Os nossos senhores do PODER, deviam lê-lo e parar para pensar! José Bray
Xadrez EscolarUm Instrumento Multidisciplinar numa Escola de Qualidade.
Pelo GM Jaime Sunye - Coordenador do Projeto Nacional de Xadrez Escolar Neste início de século a sociedade, em seus setores sociais, econômicos e políticos, vêem apresentando múltiplas demandas ao sistema educacional. Isto, aliado à renovada confiança no poder da educação, na sua importância para o desenvolvimento do país, à extensão da oferta, o aumento do percentual de engajamento na escola da população em idade escolar, e as incertezas futuras que marcam esta época vêm pressionando o conjunto do sistema educacional a rever objetivos e prioridades, bem como à busca da melhoria da qualidade de ensino.
O tema “qualidade de ensino” encontra ampla discussão, com múltiplas aproximações que refletem ideologias, concepções e expectativas distintas. Uma forma de clarear um pouco mais esse tema é considerar os objetivos que se coloca à educação.
Uma formulação para a qualidade de ensino seria que “Uma escola de qualidade é aquela que estimula o desenvolvimento das capacidades cognitivas, sociais, afetivas e morais dos alunos, contribui para a participação e a satisfação da comunidade educativa, promove o desenvolvimento profissional dos docentes e influi com sua oferta educativa em seu ambiente social. Uma escola de qualidade leva em conta as características de seus alunos e de seu meio social. Um sistema educacional de qualidade favorece o funcionamento desse tipo de escolas e apóia particularmente aquelas que escolarizam alunos com necessidades educativas especiais ou que estão situados em zonas socialmente ou culturalmente desfavorecidas. “(Alvaro Marchesi & Elena Martín, Qualidade de Ensino em Tempos de Mudança, Artmed, Porto Alegre: 2003, p. 22).
Desta formulação depreende-se que a qualidade de ensino decorre de um conjunto de fatores, com dimensões múltiplas, que compreendem as pessoas e suas ações (estudantes, professores, administradores, etc.), o ambiente, incluindo a infra-estrutura física (interno e externo à escola) e o sistema (educacional, social, político) a que pertence a escola.
Assim, a melhoria da qualidade de ensino deve entendida como a atuação no conjunto, maior ou menor, desses fatores, buscando-se alcançar os objetivos educacionais. Deve-se ressaltar que as escolas, ou os sistemas escolares podem ser mais eficientes em uns e menos em outros desses fatores, distintamente umas das outras, refletindo características locais ou regionais.
No tocante ao xadrez estão explicitamente envolvidas os seguintes aspectos:• desenvolvimento de capacidades cognitivas, sociais, afetivas e morais dos estudantes;• desenvolvimento profissional dos professores e envolvimento no trabalho;• inclusão social.
O jogo de xadrez tem sido muito utilizado em estudos sobre os processos de cognição humana, desde os clássicos estudos de Binet (Alfred Binet, Psychologie des Grands Calculateurs et Joueurs d’Echecs, Hachette, Paris: 1894 e Alfred Binet,. Mnemonic Virtuosity: - A Study of Chess Players, Genetic Psychology Monographs, 74,127–162, 1996 traduzido de Revue des Deux Mondes, 117, 826–859, 1893) que deram subsídios à elaboração dos conhecidos testes de QI no início do século XX, até as teorias mais modernas sobre a memória, no campo da psicologia cognitiva, (Fernand Gobet, Expert Memory – A Comparation of Four Theories em Cognition 66, p. 115–152, Elsevier, Amsterdam:1998), a aprendizagem (National Research Council, How People Learn – Brain, Mind, Experience and School, National Academy Press, Washington: 2000, p. 31-36, 43) e processos neurocognitivos (Michael Atherton , Jiancheng Zhuang , William M. Bart , Xiaoping Hu , Sheng He, A functional MRI study of high-level cognition. I. The game of chess em Cognitive Brain Research 16, 26-31, Elsevier, Amsterdan: 2003).
Muitos professores utilizam o xadrez como instrumento para trabalhar as capacidades relacionadas ao pensamento crítico, como auxiliar ao “aprender a pensar” que é mais importante do que aprender soluções de problemas específicos (Robert Ferguson,Teaching the Fourth "R" – Reasoning -Through Chess, sumário, United States Chess Federation, New Windsor: 1995). Para muitos jovens, o xadrez apresenta um potencial de auto-motivação bastante grande o que, nestes casos, favorece a utilização de processos mentais de alta abstração, que são próprios da prática desse esporte.Durante uma partida, o jogador deve estabelecer um plano estratégico e operações táticas ao longo da mesma. Isto requer do mesmo não apenas a verificação de conhecimento anterior (recuperação de informações da memória) como a realização de uma verificação sistemática de possíveis combinações de lances, com o julgamento contínuo de cada situação resultante, em termos dos vários elementos do jogo (material e posicional). Deve, então tomar decisões, escolhendo alternativas que levem ao sucesso, dentro das finalidades do jogo.
A atividade enxadrística realizada no contexto educacional permite trabalhar a melhoria da auto-estima dos estudantes, visto que a sua iniciação não requer pré-requisitos (características físicas, sociais, etc.) e é acessível aos estudantes situados em qualquer altura da grade escolar. No ambiente escolar as atividades são planejadas por séries, permitindo igual envolvimento dos estudantes, mesmo que apresentem dificuldades ou defasagem de aprendizagem em disciplinas curriculares, podendo servir como elemento motivador para a superação das mesmas.
Já as características de socialização, advindas da prática do xadrez, são comuns ao conjunto de atividades lúdicas e das práticas esportivas educacionais, já de muito conhecidas pelos educadores e se expandem por não conhecer as limitações físicas destes. Elas se encontram dentro de um conjunto maior de atividades que favorecem o desenvolvimento social (artes em geral, festividades, serviços da comunidade local, etc.).
Quanto aos professores brasileiros do ensino básico, observa-se uma forte tendência de engajamento nos programas de capacitação e aperfeiçoamento profissional e iniciativas, com ou sem apoio do poder público, inovadoras do ensino, procurando a superação das condições adversas e a diversidade sócio-cultural da população atendida pela escola.(INEP-MEC, Estatísticas dos Professores no Brasil, Brasília: 2003, p. 38-41)
Como apontado, a motivação dos professores com respeito ao seu trabalho e a expectativa de novos rumos e do sucesso dos alunos sob sua responsabilidade são componentes importantes da qualidade do ensino.
A iniciativa inovadora nas práticas pedagógicas tem se apresentado de várias formas; a abordagem criativa de temas tradicionais, projetos interdisciplinares, temas transdisciplinares, a incorporação de tecnologias como ferramentas auxiliares ao ensino, etc.Experiências foram observada no desenvolvimento do Projeto de Xadrez Escolar realizado pela Secretaria de Educação do Paraná desde 1980, que demonstram o potencial do xadrez como ferramenta pedagógica de apoio ao ensino das diversas disciplinas curriculares abordadas.
A questão da ação em direção à maior inclusão social de alunos em regiões desfavorecidas social e culturalmente pretende ser atingida pela vertente da manutenção, nos espaços de tempo ociosos da escola, das atividades de xadrez. O fato de possibilitar a permanência do estudante na escola, no contra-turno, envolvido com uma atividade extra-curricular é um ganho certo em seu desenvolvimento escolar, contribuindo diretamente para a diminuição significativa da exposição a situações de risco do meio urbano em que vive.
A ampliação da permanência dos estudantes no espaço escolar vem de encontro ao preceituado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação no que diz respeito ao ensino fundamental. Este aumento da permanência, que visa melhorar a qualidade de ensino, tem sido implementado justamente pela incorporação de atividades extra-curriculares, como a prática esportiva, artes em geral bem como ações da comunidade, todas elas, conforme já mencionado, com papel relevante no processo educacional.
No Paraná começamos o Ensino do Xadrez nas Escolas Públicas em 1980 e hoje contamos com mais de mil escolas estaduais com a oferta do ensino, tanto em aulas especificas como através de conteúdos transversais. Neste processo desenvolvemos recursos e metodologias que nos permitem atender, com qualidade, a mais de 300 mil escolares com custo inferior a um real por aluno.
O objetivo dos Ministérios da Educação e do Esporte de levar o xadrez a 20 mil escolas e 3 milhões de escolares nos próximos anos só pode ser realizado agregando parceiros de peso tanto no setor público como no privado. Os poderes públicos locais da área da educação e do esporte, municipal ou estadual, são parceiros obrigatórios enquanto o setor privado entrará sempre como facilitador e potencializador do processo.
Os primeiros passos já estão sendo dados através do Projeto Piloto, que está implantado em 5 estados: PE, PI, AC, MS e MG. São 250 escolas atendendo a quase 30 mil escolares e sua avaliação, prevista para terminar no próximo mês de julho, dará a forma definitiva deste projeto, mas já estão claros alguns aspectos importantes que integrarão sua expansão futura.
O primeiro é a relevância que necessita ser dada as características educacionais da região atendida e à capacitação dos docentes do ensino básico. Esta capacitação, por questões econômicas e de sustentabilidade, deve ser a mais descentralizada possível, seu aperfeiçoamento e acompanhamento serão à distância. Neste aspecto é fundamental o trabalho da Universidade Federal do Paraná, através do Centro de Capacitação Científica e Software Livre, no desenvolvimento mundial dos Servidores de Xadrez e na manutenção de um específico para o projeto.
A segunda é desenvolver, produzir e distribuir material instrucional de apoio de qualidade, tanto para docentes como para os alunos. Neste aspecto a importância da colaboração da comunidade enxadrística e pedagógica na elaboração do material e do serviço público na produção e distribuição é muito grande já que este material não está disponível no mercado.
Por último deve-se manter atividades motivadoras que realcem os aspectos lúdicos, criativos e éticos evitando excessos competitivos.
As dificuldades encontradas são importantes, mas não determinantes e o sucesso do Projeto Nacional depende mais da compreensão dos pedagogos de suas possibilidades que de limites econômicos ou políticos. Como este esclarecimento vem ocorrendo de maneira positiva, como demonstra o número de estados e municípios interessados em participar da próxima fase, acredito que em menos de uma década a prática do xadrez escolar nas escolas públicas brasileiras será corriqueira.
GM Jaime Sunye NetoCoordenador do Projeto Nacional de Xadrez Escolar
Pelo GM Jaime Sunye - Coordenador do Projeto Nacional de Xadrez Escolar Neste início de século a sociedade, em seus setores sociais, econômicos e políticos, vêem apresentando múltiplas demandas ao sistema educacional. Isto, aliado à renovada confiança no poder da educação, na sua importância para o desenvolvimento do país, à extensão da oferta, o aumento do percentual de engajamento na escola da população em idade escolar, e as incertezas futuras que marcam esta época vêm pressionando o conjunto do sistema educacional a rever objetivos e prioridades, bem como à busca da melhoria da qualidade de ensino.
O tema “qualidade de ensino” encontra ampla discussão, com múltiplas aproximações que refletem ideologias, concepções e expectativas distintas. Uma forma de clarear um pouco mais esse tema é considerar os objetivos que se coloca à educação.
Uma formulação para a qualidade de ensino seria que “Uma escola de qualidade é aquela que estimula o desenvolvimento das capacidades cognitivas, sociais, afetivas e morais dos alunos, contribui para a participação e a satisfação da comunidade educativa, promove o desenvolvimento profissional dos docentes e influi com sua oferta educativa em seu ambiente social. Uma escola de qualidade leva em conta as características de seus alunos e de seu meio social. Um sistema educacional de qualidade favorece o funcionamento desse tipo de escolas e apóia particularmente aquelas que escolarizam alunos com necessidades educativas especiais ou que estão situados em zonas socialmente ou culturalmente desfavorecidas. “(Alvaro Marchesi & Elena Martín, Qualidade de Ensino em Tempos de Mudança, Artmed, Porto Alegre: 2003, p. 22).
Desta formulação depreende-se que a qualidade de ensino decorre de um conjunto de fatores, com dimensões múltiplas, que compreendem as pessoas e suas ações (estudantes, professores, administradores, etc.), o ambiente, incluindo a infra-estrutura física (interno e externo à escola) e o sistema (educacional, social, político) a que pertence a escola.
Assim, a melhoria da qualidade de ensino deve entendida como a atuação no conjunto, maior ou menor, desses fatores, buscando-se alcançar os objetivos educacionais. Deve-se ressaltar que as escolas, ou os sistemas escolares podem ser mais eficientes em uns e menos em outros desses fatores, distintamente umas das outras, refletindo características locais ou regionais.
No tocante ao xadrez estão explicitamente envolvidas os seguintes aspectos:• desenvolvimento de capacidades cognitivas, sociais, afetivas e morais dos estudantes;• desenvolvimento profissional dos professores e envolvimento no trabalho;• inclusão social.
O jogo de xadrez tem sido muito utilizado em estudos sobre os processos de cognição humana, desde os clássicos estudos de Binet (Alfred Binet, Psychologie des Grands Calculateurs et Joueurs d’Echecs, Hachette, Paris: 1894 e Alfred Binet,. Mnemonic Virtuosity: - A Study of Chess Players, Genetic Psychology Monographs, 74,127–162, 1996 traduzido de Revue des Deux Mondes, 117, 826–859, 1893) que deram subsídios à elaboração dos conhecidos testes de QI no início do século XX, até as teorias mais modernas sobre a memória, no campo da psicologia cognitiva, (Fernand Gobet, Expert Memory – A Comparation of Four Theories em Cognition 66, p. 115–152, Elsevier, Amsterdam:1998), a aprendizagem (National Research Council, How People Learn – Brain, Mind, Experience and School, National Academy Press, Washington: 2000, p. 31-36, 43) e processos neurocognitivos (Michael Atherton , Jiancheng Zhuang , William M. Bart , Xiaoping Hu , Sheng He, A functional MRI study of high-level cognition. I. The game of chess em Cognitive Brain Research 16, 26-31, Elsevier, Amsterdan: 2003).
Muitos professores utilizam o xadrez como instrumento para trabalhar as capacidades relacionadas ao pensamento crítico, como auxiliar ao “aprender a pensar” que é mais importante do que aprender soluções de problemas específicos (Robert Ferguson,Teaching the Fourth "R" – Reasoning -Through Chess, sumário, United States Chess Federation, New Windsor: 1995). Para muitos jovens, o xadrez apresenta um potencial de auto-motivação bastante grande o que, nestes casos, favorece a utilização de processos mentais de alta abstração, que são próprios da prática desse esporte.Durante uma partida, o jogador deve estabelecer um plano estratégico e operações táticas ao longo da mesma. Isto requer do mesmo não apenas a verificação de conhecimento anterior (recuperação de informações da memória) como a realização de uma verificação sistemática de possíveis combinações de lances, com o julgamento contínuo de cada situação resultante, em termos dos vários elementos do jogo (material e posicional). Deve, então tomar decisões, escolhendo alternativas que levem ao sucesso, dentro das finalidades do jogo.
A atividade enxadrística realizada no contexto educacional permite trabalhar a melhoria da auto-estima dos estudantes, visto que a sua iniciação não requer pré-requisitos (características físicas, sociais, etc.) e é acessível aos estudantes situados em qualquer altura da grade escolar. No ambiente escolar as atividades são planejadas por séries, permitindo igual envolvimento dos estudantes, mesmo que apresentem dificuldades ou defasagem de aprendizagem em disciplinas curriculares, podendo servir como elemento motivador para a superação das mesmas.
Já as características de socialização, advindas da prática do xadrez, são comuns ao conjunto de atividades lúdicas e das práticas esportivas educacionais, já de muito conhecidas pelos educadores e se expandem por não conhecer as limitações físicas destes. Elas se encontram dentro de um conjunto maior de atividades que favorecem o desenvolvimento social (artes em geral, festividades, serviços da comunidade local, etc.).
Quanto aos professores brasileiros do ensino básico, observa-se uma forte tendência de engajamento nos programas de capacitação e aperfeiçoamento profissional e iniciativas, com ou sem apoio do poder público, inovadoras do ensino, procurando a superação das condições adversas e a diversidade sócio-cultural da população atendida pela escola.(INEP-MEC, Estatísticas dos Professores no Brasil, Brasília: 2003, p. 38-41)
Como apontado, a motivação dos professores com respeito ao seu trabalho e a expectativa de novos rumos e do sucesso dos alunos sob sua responsabilidade são componentes importantes da qualidade do ensino.
A iniciativa inovadora nas práticas pedagógicas tem se apresentado de várias formas; a abordagem criativa de temas tradicionais, projetos interdisciplinares, temas transdisciplinares, a incorporação de tecnologias como ferramentas auxiliares ao ensino, etc.Experiências foram observada no desenvolvimento do Projeto de Xadrez Escolar realizado pela Secretaria de Educação do Paraná desde 1980, que demonstram o potencial do xadrez como ferramenta pedagógica de apoio ao ensino das diversas disciplinas curriculares abordadas.
A questão da ação em direção à maior inclusão social de alunos em regiões desfavorecidas social e culturalmente pretende ser atingida pela vertente da manutenção, nos espaços de tempo ociosos da escola, das atividades de xadrez. O fato de possibilitar a permanência do estudante na escola, no contra-turno, envolvido com uma atividade extra-curricular é um ganho certo em seu desenvolvimento escolar, contribuindo diretamente para a diminuição significativa da exposição a situações de risco do meio urbano em que vive.
A ampliação da permanência dos estudantes no espaço escolar vem de encontro ao preceituado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação no que diz respeito ao ensino fundamental. Este aumento da permanência, que visa melhorar a qualidade de ensino, tem sido implementado justamente pela incorporação de atividades extra-curriculares, como a prática esportiva, artes em geral bem como ações da comunidade, todas elas, conforme já mencionado, com papel relevante no processo educacional.
No Paraná começamos o Ensino do Xadrez nas Escolas Públicas em 1980 e hoje contamos com mais de mil escolas estaduais com a oferta do ensino, tanto em aulas especificas como através de conteúdos transversais. Neste processo desenvolvemos recursos e metodologias que nos permitem atender, com qualidade, a mais de 300 mil escolares com custo inferior a um real por aluno.
O objetivo dos Ministérios da Educação e do Esporte de levar o xadrez a 20 mil escolas e 3 milhões de escolares nos próximos anos só pode ser realizado agregando parceiros de peso tanto no setor público como no privado. Os poderes públicos locais da área da educação e do esporte, municipal ou estadual, são parceiros obrigatórios enquanto o setor privado entrará sempre como facilitador e potencializador do processo.
Os primeiros passos já estão sendo dados através do Projeto Piloto, que está implantado em 5 estados: PE, PI, AC, MS e MG. São 250 escolas atendendo a quase 30 mil escolares e sua avaliação, prevista para terminar no próximo mês de julho, dará a forma definitiva deste projeto, mas já estão claros alguns aspectos importantes que integrarão sua expansão futura.
O primeiro é a relevância que necessita ser dada as características educacionais da região atendida e à capacitação dos docentes do ensino básico. Esta capacitação, por questões econômicas e de sustentabilidade, deve ser a mais descentralizada possível, seu aperfeiçoamento e acompanhamento serão à distância. Neste aspecto é fundamental o trabalho da Universidade Federal do Paraná, através do Centro de Capacitação Científica e Software Livre, no desenvolvimento mundial dos Servidores de Xadrez e na manutenção de um específico para o projeto.
A segunda é desenvolver, produzir e distribuir material instrucional de apoio de qualidade, tanto para docentes como para os alunos. Neste aspecto a importância da colaboração da comunidade enxadrística e pedagógica na elaboração do material e do serviço público na produção e distribuição é muito grande já que este material não está disponível no mercado.
Por último deve-se manter atividades motivadoras que realcem os aspectos lúdicos, criativos e éticos evitando excessos competitivos.
As dificuldades encontradas são importantes, mas não determinantes e o sucesso do Projeto Nacional depende mais da compreensão dos pedagogos de suas possibilidades que de limites econômicos ou políticos. Como este esclarecimento vem ocorrendo de maneira positiva, como demonstra o número de estados e municípios interessados em participar da próxima fase, acredito que em menos de uma década a prática do xadrez escolar nas escolas públicas brasileiras será corriqueira.
GM Jaime Sunye NetoCoordenador do Projeto Nacional de Xadrez Escolar
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