domingo, 30 de janeiro de 2011

Maria das Dores - sua morte

Esta nossa avoenga sempre nos trouxe fascínio pela sua história não sabemos muito mas temos tentado e conseguindo mais elementos sobre a sua vida. Cada vez há mais Brays a quererem saber coisas dos nossos antepassados, neste blogue já há alguma informação que podem procurar. Há dias descobrimos algo que embora em tese já tivéssemos essa hipótese, ainda não tinha sido possível comprovar. Agora já está documentada! Essa é a razão desta mensagem que hoje estamos a inserir.
Recapitulando, Maria das Dores nasceu nas Carrreias em 1848 e faleceu na Quinta da Ermegeira
em seis de Março de 1880 com 32 anos. Dias antes tinha falecido também seu filho, um menino nascido há um ano que foi baptizado de António.
No cemitério do Maxial há um pequeno mas digno monumento que o marido José Pedro da Roza Bray, lhe dedicou!
Nota: colocada a 14/5/2013
Consta por diversos relatos que Maria das Dores tinha ido com o filho António visitar a família às Carreiras. O caminho ainda extenso, talvez pouco menos de vinte quilómetros, fora feito a pé. No regresso mãe e menino apanharam uma grande molha, chegaram a casa adoeceram provavelmente com uma pneumonia, falecendo os dois com poucos dias de diferença!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Xadrez - O doping

O Xadrez, como todos sabem é praticado em todas as idades, desde muito novos até idade avançada. Já vi a jogar em competição meninas e meninos de seis anos e idosos com mais de oitenta. É uma modalidade praticada por pessoas saudáveis e pessoas doentes, inclusive por quem tem as mais variadas deficiências, tais como invisuais, surdos, mudos, paraplégicos, saúde mental, e muitas outras! Todos podem fazer competição e ninguém os pode descriminar! Muitos praticantes precisam de medicamentação pois têm mazelas que o exigem. Mas no Xadrez há uma idiotice sem pés nem cabeça! Há uma coisa chamada controle DOPING, como se tratasse de ciclismo, atletismo, futebol, natação, etc., etc.
Se me disserem que o comportamento é fundamental, e aí o controlo sobre o álcool é essencial, mas impedir que um doente não possa tomar um medicamento porque faz parte da lista de proibição do doping é no mínimo uma tolice! O Xadrez é uma modalidade em que 99% é amadora ou seja os jogadores custeiam o seu custo. O Xadrez é uma modalidade lúdica em que o jogo se confunde com arte e ciência, por isso para quase todos é uma forma de viver com mais felicidade! O Xadrez também é uma modalidade terapêutica, faz bem a muita gente doente que têm o direito de o praticar!
Muitos dizem: isso é só para inglês ver, é só para estar no papel! Maneira cómoda de lavar as mãos como Pilatos. Acontece que já houve torneios com controlo anti-doping. E talvez o mais ridiculo seja a lista ser igual à das restantes modalidades.
Pessoalmente conheço muitos xadrezistas com necessidades de medicamentação! Vamos proibi-los de jogar? Muitas vezes é este jogo que os salva!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A Filarmónica da Ermegeira - nova versão

No dia dezanove de Dezembro deste ano, desloquei-me à minha linda aldeia para ouvir o concerto de Natal interpretado pela Filarmónica Ermegeirense dirigida pelo Maestro Álvaro Reis, apaixonado da Banda e autor de muitas peças! Gostei, executaram com muita qualidade os temas a que se propunham, gostei por ver tantas raparigas a tocar, contei quinze mas é natural que fossem mais. foi uma tarde bem passada, no seu excelente auditório. No fim foi servido um lanche aos convidados que não aproveitei devido a outros compromissos.
Gosto muito da Filarmónica da minha terra, mas a razão desta mensagem é outra! Em vinte cinco de Junho deste ano inseri uma mensagem a falar do nascimento da Banda, agora fui confrontado com outra versão, por isso senti-me na obrigação de a dar a conhecer. Mas atenção, eu não inventei a primeira, foi-me contada por familiares inclusive o meu padrinho Silvério Pedro da Roza Bray. Vamos então transcrever o texto a que tive acesso.
A fundação da Sociedade Filarmónica Ermegeirense remonta aos finais do século XIX, mais propriamente ao ano de 1882.
Esta banda já existia e estava sediada na nossa freguesia, no lugar de Maxial, há vários anos (não se sabendo ao certo quantos).
Segundo a versão de dois dos seus fundadores, António Feliciano e Terêncio Pedro, os elementos que compunham a referida banda, eram todos da Ermegeira à excepção de um que era do Maxial. Pelo que, numa bela noite, depois do respectivo ensaio, os músicos combinaram em levar para a Ermegeira todo o espólio da banda e, ao raiar da aurora do dia 5 de Março de 1882, a população ermegeirense foi acordada ao som dos primeiros acordes da Sociedade Filarmónica Ermegeirense.
Como se pode comparar as duas versões são muito interessantes, confirma-se que houve uma mudança de local e a banda acabou por vir para a aldeia da Ermegeira, também o ano coicide.
Quando conseguirmos mais dados eles serão inseridos em nova mensagem. Em qualquer dos casos, muitos parabens à nossa Filarmónica!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Os meus cães!

Um filósofo meu amigo disse, os seres humanos dividem-se em duas classes, os que gostam de cães e os que não gostam de cães. Quis a natureza que eu pertencesse à primeira categoria. Gosto de cães, toda a minha família gosta também e os meus amigos quase sem excepção não fogem a esta regra! Quando era menino pobre e triste o meu maior amigo foi o Tejo, um animal grande e pachorrento, castanho para o amarelo com o convém a bom rafeiro, também conhecido nas cidades por vira latas, passei muitas manhãs e iguais tardes a brincar com ele, sempre paciente para as minhas pequenas malvadezas. Um dia foi ele que me encontrou numa noite de inverno em que estava desaparecido. Antes de fazer a tropa levei para casa da mãe Alice um aristocrata que se havia de tornar num pequeno tirano, quando regressei de África mal cheguei a quinhentos metros de casa o cão começou aos saltos porque o seu olfacto me detectou. Em Luanda tínhamos um simpático rafeiro chamado Shane, que nos foi roubado, a Flor procurou, procurou e descobriu o animal preso e sem condições num quintal de labregos, veio para casa doente e morreu jovem, ficou a saudade. Em mil novecentos e oitenta e três entrou na nossa vida o mais belo cão a que pusemos o nome de Yarb, este era nobre em todos os sentidos, nervoso, leal, punha os miúdos em respeito mas nunca fez qualquer mal aos mesmos. Gostava imenso de andar de carro, quando passeava com ele era fácil meter conversa com toda a gente! Catorze anos depois, o nosso amigo já velho e doente obrigou-nos a ajudá-lo a partir, foi muito difícil, está a descansar no Pinhal do Rei em local que só eu sei! Em mil novecentos e noventa e oito chegou a Morgana, uma boxer castanha, feitio calma, grande companheira, nem se dava por ela, devido a problemas de saúde gastou-se uma fortuna com a Morgana, mas nunca nos arrependemos de o fazer. Minha companheira de passeios no pinhal, passava os dias sentada aonde eu estivesse sempre olhando com uns lindos olhos castanhos. Hoje, vinte e sete de Dezembro de dois mil e dez, às 15h e 15m o coração da Morgana deixou de bater, partira para o céu dos cães, dorme no nosso quintal junto ao damasqueiro, sobre a campa plantei quatro pés de roseira branca em homenagem à pureza do seu carácter. Adeus minha amiga!

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Xadrez - O artigo 36

Amigos xadrezistas como muitos sabem, houve uma fase da minha vida em que me preocupei com as coisas do Xadrez Nacional, algumas coisas mudaram através de propostas minhas, por exemplo o embrião dos Nacionais de equipas! O sistema ficou a funcionar, foram-se fazendo uns acertos, em certa altura a coisa parecia estar boa… Entretanto começaram os iluminados a propor alterações mal pensadas, algumas tremendos disparates, por exemplo o excesso de equipas no Campeonato Nacional sendo o país tão pequeno e com tão pobre Xadrez, com isso esvaziaram os campeonatos Distritais de Equipas. Depois aprovaram a hipótese de um dado Clube ter muitas equipas nos Nacionais, matando o fomento de novos Clubes. Depois o socialismo foi posto na gaveta e os Clubes deixaram de ser apoiados, matando com isso mais Clubes, por fim passaram a cobrar por tudo e por nada, como se o Xadrez fosse só para ricos! Mais uma forma de matar o Xadrez Nacional! A partir de certo momento desisti… nas Assembleias Gerais da Federação, estavam sempre a aparecer representantes com ideias sem pés nem cabeça, por isso perdi a paciência! O pior é que muitas dessas luminosidades foram aprovadas, caso do famoso artigo 36, uma aberração sem pés nem cabeça! Razão da actual polémica que agora se estabeleceu sem fim à vista! Senti-me na obrigação de vir ao terreiro dar a minha opinião!
Aberração ou não o artigo 36 foi aprovado! Antes de as provas começarem os responsáveis dos Clubes deviam ter encostado a Federação à parede através de uma Assembleia Geral de forma a meterem juízo naquelas cabeças e anularem o disparate! Mas não o fizeram! Então só há uma atitude a tomar acatar (cumprir) o regulamento, doa a quem doer! Parece-me óbvio que os seccionistas e directores dos Clubes de Xadrez não fizeram os trabalhos de casa, não foram cuidadosos na leitura dos regulamentos!
Será que há outra solução? Talvez, mas não compliquem mais!
Para terminar, quero informar que o meu SOM-Sport Operário Marinhense desce da 2ª divisão para a 3ª divisão por não ter cumprido o artigo 36. Fomos incompetentes por isso temos a paga!
José Bray

domingo, 28 de novembro de 2010

A amizade - Homenagem ao senhor João!

Para mim, a amizade é uma coisa sagrada, ou sou amigo ou não sou. Todos nós precisamos de amigos! Nunca traí alguém que fosse meu amigo! Um verdadeiro amigo é coisa rara neste mundo. Felizmente tenho um bom número deles. Hoje vou falar de uma amizade que já tem quase trinta anos, estou a falar de João Duarte Santos, um homem bom natural do Bombarral. O senhor João é uma personagem muito interessante, inteligente, solidário, amigo do seu amigo, um grande desportista. Desenvolveu no seu Concelho um projecto no chinquilho que dura há várias dezenas de anos, nessa organização entram todas as freguesias do Concelho, uma tarefa toda a seu cargo! Também criou a Secção de Xadrez da Casa do Povo do Bombarral, equipa que tem mantido um nível elevado e onde dezenas de jogadores desenvolveram as suas qualidades, tudo à custa do João Santos. Nas provas do Inatel já representei o seu amado clube, jogando ao lado do saudoso Mamede Diogo, sou convidado habitual na festa de fim da época do chinquilho no Santuário do Carvalhal. Por isso sei que este senhor é muito meu amigo, tenho várias provas dessa amizade que eu sempre retribuo com imenso prazer! Neste momento a sua secção de Xadrez está a levar uma homenagem ao seu líder, expressa num torneio especial para convidados. É muito justa esta homenagem, eu mesmo há vinte anos lhe fiz uma, ao atribuir-lhe a troféu de mérito da Associação de Xadrez de Leiria. Não quero fazer um juízo de valor, mas ao ver a lista dos convidados fiquei perplexo, o nome Bray não aparecia, não fiquei zangado mas fiquei triste!

sábado, 27 de novembro de 2010

O meu tio Alberto - Duas lições de vida!

Todos temos pessoas no nosso imaginário que nos tocam profundamente e que muito admiramos, fazem parte do nosso passado e recordamos com muito carinho. o meu tio Alberto foi uma dessas pessoas! Quando penso nele os meus olhos ficam sempre húmidos! mas este escrito não é para falar do sentimento que nutria por ele que nunca se apagou, mas sim para falar de duas lições de vida que recebi dele quando tinha treze anos e me tem servido de exemplo pela vida fora. O meu tio filho de pai judeu era um homem muito inteligente e bem parecido, morreu novo e toda a sua vida foi passada no tempo do Estado Novo. Aprendeu sozinho a ler, assim como o ofício para sobreviver. Era um caçador como não havia outro em toda a região oeste!
Um dia de Setembro acompanhei-o na sua ida à caça (nesse tempo caçava-se todos os dias), connosco ia um cão perdigueiro de seu nome Mondego. Como era hábito, á medida que caminhávamos pelas vinhas, pomares e pinhais, íamos falando de tudo; do Benfica, do Torriense, de filmes, de gajas, dizíamos mal do regime, o habitual. De vez em quando um coelho saltava e até lebres. Em dada altura o tio meteu a arma à cara e pum! Um enorme coelho deu uma cambalhota e ficou-se, Mondego foi de imediato pegar na caça e entregar ao meu tio seu companheiro de muitas caminhadas. Primeira lição, o tio disse. --Ainda bem que é macho, não gosto de matar fêmeas, elas são sagradas! Depois explicou-me porquê...
Voltamos à nossa caminhada, contado histórias, anedotas e outras coisas mais, o meu tio era muito charmoso, um misto de Gary Cooper e Gregory Peck. Os coelhos continuavam a saltar à nossa frente, à esquerda e à direita e o caçador nada. Em dada altura perguntei-lhe, tio não atira mais, não mata mais caça? Segunda lição, o tio parou fixou-me atentamente e numa cara sem riso disse-me. --Zé Manel, para hoje não chega? Corei mas entendi tudo!
Estas duas lições, principalmente a segunda, têm-me acompanhada toda a vida servindo de exemplo para outros, curiosamente não foi nenhuma doutor que me a deu. Obrigado tio Alberto!