domingo, 3 de outubro de 2010

Data importante, 3 de Outubro - Trabalho e Tabaco

Há na vida de cada pessoa, datas importantes, derivadas dos mais diversos acontecimentos, como todos sabem. Não fujo à regra, mas hoje vou falar de um dia do ano que comemora dois acontecimentos da minha existência sobre os quais me apetece falar, o 3 de Outubro. Nesta data no ano de 1957 comecei a trabalhar oficialmente, já lá vão cinquenta e três anos... Portugal, nessa época era uma nação de grande pobreza e fascista, a vida era muito difícil para 90% da nossa população residente. Por essa razão os nossos jovens precisavam de ajudar os pais, não podendo ir estudar, mesmo que fossem as maiores inteligências do país. Isto era o Salazarismo! Infelizmente fazia parte dessa percentagem. Considero contudo uma data marcante! Em 1973 era um fumador inveterado fumando três maços por dia. Um dia pensei.--Bray tens a mania que és inteligente mas és uma besta, andas a prejudicar a tua saúde e a dos teus indirectamente, gastas dinheiro que pode fazer falta à tua filha e ainda por cima incomodas toda a família, burro, burro. Então no dia 3 de Outubro estando a jogar o Campeonato de Angola de Xadrez, amachuquei o maço MC e nunca mais peguei num cigarro! Claro que custou muito, mas não há niguem mais teimoso que um teimoso!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

António Mamede Diogo

Fez em seis de Setembro um ano que a alma do Mamede Diogo deixou o corpo doente! Fez um ano que perdemos um amigo de enorme dignidade humana, um homem com H grande! Um ano depois a saudade não diminuiu, sua ausência está sempre presente. Ainda há dias no Torneio de Montemor a sua aluna querida e grande campeã Ana Rita chorava recordando o mestre e amigo, cena comovente protagonizada por uma menina com dez anos. Não há maior homenagem que esta! Também o meu neto Daniel Bray homenageou Mamede Diogo, quando do Memorial em memória do nosso amigo, ao vencer a prova ofereceu à família o Troféu. Conheci o Mamede há trinta anos, havia amizade e cumplicidade entre nós. Não conheci nenhum jogador com mais desportivismo que ele, nunca assisti a qualquer atitude menos digna da sua parte. Disputamos oficialmente uma dúzia de partidas, ele venceu mais, mas quando perdeu foi sempre com bons modos, infelizmente não se pode dizer o mesmo de mim. Quando faleceu encontrava-me longe, era impossível vir ao funeral, mas no Hotel já na madrugada do dia sete escrevi um pobre poema mas com sentimento em sua memória, que transcrevo.
António Mamede Diogo

Morreu o António Diogo
Foi-se um amigo desportista
Companheiro da vida e do jogo
Foi embora, um às, xadrezista
O xadrez foi sua paixão
Ficou tudo mais pobre.
Perdeu-se um grande campeão
E um homem sério e nobre
Grande… grande lutador!
Batalhou, esgrimiu com coragem
Na vida, na doença e na dor.
Deixando a todos nós uma mensagem!
Um exemplo, o António Diogo
Merece nosso respeito e homenagem.
Ser social, afável, amoroso
Carácter íntegro de primeira
Bom pai e marido dedicado
Uma vida, de luta e canseira
Com imensos valores e predicados
Adeus Mamede, bom amigo
Ficas para sempre no nosso coração
A malta, sem excepção está contigo
Na nossa e total recordação
Anos foram mais de trinta
Dos jogos e nossa vivência
Fizemos muitos lances e muita tinta
Com esforço e bastante inteligência.
Rapazes o Diogo não morreu!
Há suas partidas, sua história.
António Diogo, não faleceu
Viverá sempre na nossa memória!

José Bray, campeão nacional de veteranos
Évora, 07/O9/2009
Até sempre Mamede, descansa em paz!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Xadrez Nacional Preliminar - Daniel, Hugo e Inês

Na cidade da Amadora de 4 a 12 do corrente mês disputou-se o Campeonato Nacional de Xadrez Individual, Fase Final e Preliminar. Estiveram presentes oitenta jogadores.
O Distrito de Leiria foi representado na Preliminar Nacional por Daniel Bray 16 anos, do Sport Operário Marinhense - Marinha Grande, Hugo Santos 18 anos e Inês Santos 13 anos, ambos da Academia Mamede Diogo - Peniche. Os meninos dignificaram o seu Distrito e os seus clubes. Daniel Bray, cumpriu embora se esperasse mais da sua prestação, enfrentou sete adversários acima do seu rantig e ainda conquistou 15 pontos para o seu Elo ficando com 1960. Hugo ficou em quatro lugar fazendo uma prova de alto nível, não lhe tirando o mérito o seu adversário da última ronda não compareceu por isso venceu o jogo por falta de comparência, a jornada final é a mais importante para a classificação. A Inês foi sem dúvida a melhor prestação ao conseguir 5 pontos, o seu Elo era de 1631 a média dos adversários foi de 1929, arrecadando para o seu rantig 42 pontos ficando com 1673. Parabéns meninos e menina. A Família Lima Santos está em alta, bem merecem! O Campeão Nacional Absoluto passou a ser Paulo Dias, parabéns!

O Xadrez e o Poder

Para nos situar, vou transcrever um texto inserido num trabalho sobre a Academia de Xadrez de Luanda, é uma história verídica passada em Luanda no ano de 1972.


Um dia, decorria o ano de mil novecentos e setenta e dois, Angola foi visitada por um
Secretário do Ministério que titulava a Cultura e o Desporto, um senhor barrigudo vindo do “Puto” (Metrópole), nas visitas regulares de controlo.
A rapaziada do Xadrez conseguiu chegar à fala e pediu uma reunião. O tema foi o pedido de ajuda para se fomentar o xadrez na colónia. Resposta do Secretário barrigudo.
-Meus amigos, tenho muita pena mas o Estado Português não apoia desportos de azar!
Isto foi real! Por minha honra!
Gargalhada geral… Ainda hoje ecoa por todo o continente negro…


Com as devidas proporções, esta anedota é demonstrativa da falta de apetência do Poder pelo Xadrez antes do 25 de Abril. O embate Leste/Oeste, protagonizado por Spassky e Fischer, URSS/EUA, acordou um pouco as consciências mas foi sol de pouca duração. Após a Revolução, aí sim, houve um investir forte. Durou uns anos tantos como os ideais de alguns revolucionários, caindo na portuguesa apatia do costume. Acabou o século XX, entrou o XXI e já lá vão dez anos, o Xadrez continua a ser desprezado pelo Poder. Não interessa os homens, sejam de esquerda ou de direita, não interessa os partidos, todos têm feito o mesmo. O Xadrez não dá votos, o Xadrez não dá dinheiro, o Xadrez não dá penacho! Mas o Poder está enganado, no interesse colectivo o Xadrez tem muito para dar, leiam o que se diz das virtudes do Xadrez, texto inserido neste blog. Pensam que o Xadrez só é útil para desenvolver o raciocínio (só este aspecto era suficiente para apoiarem mais esta ciência e esta arte), mas o Xadrez é muito mais. Quero acabar por agora com esta afirmação. Se apoiassem mais os Xadrez nas camadas jovens, gastavam menos para combater a droga e havia mais rendimentos nas escolas de Portugal!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Xadrez na Pampilhosa da Serra






Dia 28 de Agosto, "o circo do xadrez" foi até à Pampilhosa da Serra lá foi disputado o 1º Aberto daquela povoação. Estiveram presentes uma centena de xadrezistas, muitos nomes sonantes da modalidade. José Bray e Daniel Bray estiveram presentes, para se aquilatar a força da prova, o primeiro era o 37º e o segundo o 32º, isto do rating da modalidade, não fizeram prova brilhante mas não destoaram, ficando classificados dentro dos parâmetros. Pampilhosa da Serra é uma vila bonita, enquadrada no meio de serras, atravessada pelo rio Unhais. O excesso de calor, acima dos 35º, ia dando cabo do pessoal. Foi um convívio muito agradável, com concerto da Filarmónica local e actuação do Rancho Folclórico, também da vila, acompanhado por um excelente churrasco. Do Distrito de Leiria, além dls Bray, estiveram cinco xadrezistas de Peniche, dois do Bombarral e quatro de Figueiró dos Vinhos. Apareceram alguns amigos que já não via há muito, entre eles o Staline jovem de oitenta anos, figura muito interessante,senão vejamos, é o único em Portugal com aquele nome, salvo erro, pelo menos antes do 25 de Abril, foi o primeiro presidente da Cãmara da Moita após a revolução dos cravos, aprendeu a jogar o xadrez aos setenta anos e ficou apaixonado pelo nobre jogo. O torneio foi fomentado pela família António Fernandes e seu pai Júlio Santos, oriundos daquele Concelho. Por coincidência António venceu o torneio e o pai venceu os veteranos. Houve a promessa dos autarcas locais que o segundo torneio vai ser uma realidade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Academia de Xadrez de Luanda

Em mil novecentos e setenta e três foi fundada em Luanda uma instituição exemplar, a Academia de Xadrez de Luanda, com sede no Bairro de Alvalade na rua do cinema Avis. Os principais mentores desse projecto foram; João Palma e José Bray, a estes juntaram-se o Franco (oculista) e o Daniel Silva, um para ajudar financeiramente o outro para fazer recados. Depois de imediato começaram a aparecer xadrezistas a apoiarem. Na época do match Spassky/Fischer 1972, para o título mundial, o xadrez na capital angolana, jogava-se nos cafés, esplanadas, hotéis e clubes de prestígio, Nuno Álvares, Clube dos Caçadores, Antigos Estudantes de Coimbra, Clube Transmontano, Clube da Junta Autónoma de Estradas, etc. O pessoal reclamava pela independência da modalidade, sempre sujeita aos caprichos das entidades que permitiam a sua prática nas suas instalações. É famosa a frase do Carlos Oliveira, génio da modalidade e último campeão de Angola Colonial em 1974. – Se houvesse um padrinho rico que nos oferecesse uma sala. – Todos concordaram, menos eu e o Palma. Se queríamos condições era preciso trabalhar para isso. E foi assim que tudo começou! A ideia inicial era um banal clube autónomo de Xadrez. Nessa altura propus que a visão fosse mais ampla e por isso criar uma Academia. Houve alguma resistência, diziam ser demasiado pretensioso. Mas com argumentos válidos convenci toda a oposição, tais como. Primeiro, a Academia tinha a função de ensinar, segundo, a Academia iria coordenar o xadrez de Angola, terceiro, na Academia iam estar os mestres de Luanda. Todos concordaram. Escreveram-se os estatutos, diga-se de passagem, exemplares. Alugou-se um estabelecimento para sede e que foi apetrechada com mesas e cadeiras assim como um bar. O mobiliário foi em grande parte adquirido e pago por Bray e Palma. Era necessário um emblema, calhou-me a honra de o criar. A Academia de Xadrez de Luanda era uma realidade. A partir daí todos os dias havia mais sócios, pagando uma quota de cem angolares, o movimento era intenso. Na Academia disputou-se o Distrital de Luanda em 1973 e 1974, o campeonato de Angola de 1973 e 1974 e o grande Torneio Angola Livre em 1975. Após a descolonização a sede passou para a Brito Godins junto à Maianga. Após a independência o poeta António Jacinto, Ministro da Educação, enviou uma carta à Academia, louvando o nosso trabalho e oferecendo o apoio do Governo para tudo o que fosse necessário. Mais tarde a Academia de Xadrez de Luanda foi integrada na Federação de Xadrez de Angola.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Silvério Pedro da Roza Bray

Na minha família Bray, o nome Silvério repetiu-se através da nossa saga. Hoje vou falar do meu bisavô. Dando continuidada ao já escrito, este meu antepassado não nasceu na Ermegeira, acompanhou os pais José Pedro da Roza Bray e Maria das Dores, na vinda destes para a Quinta da Ermegeira onde o meu trisavô fui ocupar a função de Feitor. Finalmente descobriu-se o registo de nascimento do Silvério e alguns segredos vieram à luz. Nasceu na freguesia da Carvoeira no dia 22 de Março de 1866 às seis da manhã, sendo baptizado na Igreja local no dia 27 de Março. Os pais não eram casados, tendo nessa altura Maria das Dores dezoito anos. Foi padrinho outro Silvério irmão do pai, por isso tio. O casal ficou a viver nas Carreiras e legalizou a situação casando a 3 de Setembro do mesmo ano. Pouco depois partiram para a Ermegeira e aí nasceram os irmãos do bisavô Silvério.