segunda-feira, 19 de julho de 2010

Torneio das Linhas de Torres


Decorreu no dia 18 de Julho em Torres Vedras o Torneio de Xadrez comemorativo dos duzentos anos das Linhas de Torres, fortificações de elevada importância para conter o invasor francês. A prova disputou-se no Forte de São Vicente, perante uma paisagem de grande beleza. A organizção esteve a cargo do Académico de Torres e patrocínio da Autarquia da cidade. Carlos Marques foi o director da competição e Carlos Dias foi o árbitro principal. Sou do concelho de Torres Vedras, por isso desloquei-me lá com o meu neto Daniel e a minha companheira, para mim era uma honra disputar este open, mas não joguei! E porquê? Vamos lá fazer os reparos...

Ponto I - Torneio disputado longe do centro da cidade, dificeis acessos, os acompanhantes não conduzindo não tinham hipóteses de sair do local.

Ponto II - O local da prova só tinha uma casa de banho e ordinária, para homens e mulheres, muitas crianças de ambos os sexos. Inadmissivel. Queriam que as pessoas andassem a urinar e a obrar no património?

Ponto III - Dia de calor, havia muitos garrafões de água mas copos só um. Bebiam todos pelo mesmo?

Ponto IV - Este é mesmo ridículo! A meio do torneio vieram dizer que os carros não podiam estar dentro do Forte, obrigando as pessoas a retirar as viaturas e a estacionar ao longo da estreita estrada. Pergunto, que mal fazia ao património as viaturas arrumadinhas em cima da terra batida? Não deviam pôr logo um aviso na entrada, "proibida a entrada a viaturas"? Não estiveram preocupados com os excrementos devido à falta dos WC nem com a falta de apoio aos visitantes, mas preocuparam-se com os carros que estavam tão sossegados. Reparei nalguns remendos feitos no complexo que são um atentado ao património histórico, e esta...

Voltemos ao Open. Estiveram presentes cerca de oitenta jogadores, a concorrência foi forte em força de jogo. Venceu o grande António Fernandes em pontuação igual ao não menos grande Rúben Pereira. Daniel Bray fez uma excelente prestação ficando no grupo dos sétimos classificados com cinco pontos e meio, só perdendo um jogo, empatando três e vencendo quatro.

Carlos Marques fez um trabalho meritório, mas penso que foi ultrapassado pelo sucesso inesperado. Não esperava tanta gente e de tão grande qualidade.

Espero e desejo que em Torres Vedras se organize todos anos um bom Torneio de Xadrez, com as melhorias que os erros ensinam.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Adeus Carlos Quaresma

Pois é, o Carlos Quaresma deixou-nos fisicamente! A sua alma apagou-se ontem dia sete de Julho. Hoje a matéria foi depositada num cemitério de Leiria, mas não é lá que está o nosso amigo "House", alcunha carinhosamente colada por nós. Ficará vivo na memória dos amigos do Xadrez até um de nós existir. Conheci bem esta cativante e complicada personagem. Homem irreverente, corrosivo, anarquista em tudo, mas grande humanista e brilhante inteligência. Jogador de Xadrez de primeira, era mesmo um cientista da modalidade. Bray, Cordeiro, Quaresma e mais um, percorrreram Portugal durante vinte anos representando o Xadrez da Marinha Grande. O nosso amigo tinha uma memória de dois elefantes, decorando sem dificuldade centenas de partidas. Mas o Carlos Quaresma era uma inadaptado, sem qualquer noção das coisas práticas da vida. A sua agressividade era derivada da sua timidez. Quantas vezes, nessas alturas o mandei à merda e ele começava a rir...
Comecei a lidar com ele em oitenta e três, já nessa altura senti nele uma necessidade de auto-destruição, tendência que se veio a agravar ano após ano. Com a doença os últimos anos foram de sofrimento e o fim pressentia-se breve. mesmo assim foi um choque para todos nós. O Xadrez ficou mais pobre e nós também. Até sempre refilão!
José Bray

sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Filarmónica da Ermegeira

A coisa mais importante da minha terra é a música, sim a filarmónica. Desde miudo amei aquelas noites em que ouvia os ensaios. No fim de semana lá ia a banda comparecer nas festas das diversas aldeias da região, o povo ia atrás dos seus músicos. Nesse tempo só havia machos no elenco. Como iam vaidosos na farda que era a vestimenta mais decente que tinham. Gente pobre, muito pobre, as excepções eram raras. Metade da banda era Bray a outra metade eram primos. O meu bisavô Silvério Pedro da Roza Bray, foi um dos fundadores em 1882, reinava D. Luís. No início havia alguns músicos da Aldeia Grande, após discussão levaram para a sua aldeia os instrumentos, lá esteve algum tempo, pouco por sinal. Um dia comandados pelo Silvério (grande reguila), durante a noite foram à Aldeia Grande e trouxeram tudo para a Ermegeira, onde está até hoje. O meu padrinho Silvério, neto do fundador foi músico durante setenta anos e que bem ele tocava trombone. Morreu há meia dúzia de anos, eu gostava muito dele. com a sua ausência a banda já não me atrai tanto...
A banda continua a tocar e bem e hoje já tem meninas.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ermegeira - O primeiro Bray

Na Ermegeira, minha terra natal, havia e possivelmente ainda há, uma opinião generalizada que o primeiro Bray, seria um militar inglês, do tempo das invasões Francesas. Para uns, teria sido ferido e por cá ficou fazendo a vida, para outros que teria desertado, para muitos o militar teria passado à disponibilidade e casado com alguma menina da redondezas. Fomos criados na crença de que o homem era inglês e militar, a história teria acontecido logo após 1808. Nada mais errado.
Não sabemos se era inglês, francês ou outra nacionalidade. Mas sabemos que chegou à Ermegeira em 1865 ou 1866! E esta...
Chamava-se José Pedro da Roza Bray (sim Roza com z). Era jovem 23/24 anos, casado com Maria das Dores ainda mais jovem 17/18 anos. O matrimónio foi na Carvoeira e quando partiram para a minha aldeia já levavam o primeiro filho Silvério Pedro da Roza Bray, por sinal meu bisavô.
O meu avoengo foi trabalhar como feitor para a Quinta da Ermegeira, propriedade dos Viscondes de Balsemão.
Depois nasceram mais filhos por esta ordem, Maria Henriqueta, Luiza Maria, Mariana, Amélia e José (Sobrigal).
Maria das Dores, faleceu em 1880 com 32 anos. De que teria morrido? Parto, doença, epidemia? Não sei...
O marido mandou erigir um pequeno mas digno monumento no cemitério do Maxial.
Foi assim que começou a saga dos Bray na Ermegeira, minha aldeia.
E antes? E depois? Claro que sabemos muita coisa. Isto foi só para aguçar o apetite.

Xadrez - Distrital Absoluto de Leiria

Vai disputar-se o Distrital Absoluto de Leiria, nos dias 3, 10, e 17 de Julho. As partidas irão ser jogadas na Residencial D. Fernando - Estrada Nacional 2, Benedita.
José Bray e Daniel Bray irão lutar para conquistar o título máximo do Distrito. O primeiro venceu em 2008 e o segundo venceu em 2009, por isso é o campeão em título. Daniel foi o mais jovem de sempre a conquistar esta prova com 15 anos. José já venceu por diversas vezes (6) a primeira em 1983 e a última com 64 anos há dois anos.
Recordamos que há mais um Bray no Xadrez, de momento retirado por motivos profissionais e familiares. Trata-se de Isa Bray, forte jogadora e um talento enorme para esta modalidade. Esperamos que em breve volte à competição.
Por sua vez, a nível etário, ou seja nas provas para jovens, Daniel Bray é campeão Distrital há oito épocas.
Quem quiser assistir aos campeonatos só tem de aparecer, as partidas disputam-se de manhã e à tarde.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Virtudes do Xadrez

Diz quem sabe! A prática do Xadrez pode desenvolver:
Imaginação
Concentração
Planificação
Previsão
Memória
Espírito de luta
Controle nervoso
Capacidade de decisão
Criatividade
Organização
Autocrítica
Objectividade
Intuição
Capacidade de cálculo
Visão espacial
Sociabilidade
Lógica
Superação do fracasso
Democratização

A lista não acaba aqui, mas serve para perceber a importância do Xadrez na formação dos jovens.

O poder (governo) tem de entender as vantagens em fomentar esta disciplina nas escolas portuguesas.

O XADREZ É BOM, É BARATO E FAZ BEM.

Mário Silla 1947/2003

Fiquei muito triste ao saber do falecimento do meu amigo Mário Silla; meu companheiro de utopias. Não é segredo a grande amizade que me ligava a ele.

Durante o tempo que por cá se anda, há pessoas especiais que nos tocam profundamente e têm sempre um cantinho no nosso coração. Os anos passam a distância é enorme, as vidas não se voltam a cruzar, mas esses amigos estão sempre presentes! O Silla era uma dessas excepções tão raras de encontrar!

Nos últimos dias tenho recordado a nossa vivência de antes e depois da Independência, anos gloriosos de projectos e sonhos com o Xadrez sempre presente.

O nosso último encontro foi em Lisboa no Saldanha, junto ao velho Monumental. Eu lutando para me adaptar a este país medíocre e ele cheio de projectos para a sua terra prometida, ANGOLA.

Já passou um quarto de século, mas ainda o estou a ver, desaparecendo ao longe a caminho do hotel na companhia da sua loura esposa.

Até sempre amigo!..

Marinha Grande, 11 de Fevereiro de 2003